CACD

HISTÓRIA DO BRASIL 2006
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Questão q21 de 2006

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

O Brasil fez-se Império antes de se fazer nação. No contexto internacional da época, nosso processo de independência foi algo aberrante não apenas devido ao regime monárquico que adotou, como não se cansará de frisar a propaganda republicana de finais do Segundo Reinado, mas também devido à forma imperial que tomou o Estado brasileiro numa conjuntura que já se anunciava nitidamente desfavorável às construções imperiais e eminentemente marcada pelo triunfo da idéia nacional na Grécia, depois na Bélgica, na Espanha, que se levantara em 1808 contra o império napoleônico, no próprio Portugal das Cortes de Lisboa, que, no momento azado, não hesitou em sacrificar o Brasil aos seus objetivos estritamente nacionais. Uma das questões curiosamente negligenciadas pela nossa historiografia é precisely a de se verificar por que o Brasil adquiriu sua independência sob a forma de Império e não de Reino, como seria de se esperar do fato, entre outros, de que, desde 1816, D. João VI o promovera a esta condição.

Evaldo Cabral de Mello. Um imenso Portugal: história e historiografia. São Paulo: Ed. 34, 2002, p. 24 (com adaptações).

O autor do texto Um Imenso Portugal defende a tese de que, no Brasil, o Estado teria precedido a nação. O tema da grandeza geográfica do país está, por sua vez, implícito. Julgue (C ou E) os itens a seguir, considerando a coerência com as idéias expressas no referido texto.

  1. O território deve ter sua importância minimizada, uma vez que, embora preexistente, ele não teria sido suficiente para o surgimento da nação brasileira.

  2. A adoção da forma império no Brasil, em vez de reino, atendeu aos interesses das grandes potências da época, neles incluídos os dos Estados Unidos da América (EUA).

  3. O nascimento da Ordem da Santa Aliança facilitou o reconhecimento da monarquia brasileira.

    Alterado de C para E, pois a Santa Aliança, formada para defender a restauração dos regimes monárquicos na Europa, também tinha posição contrária às independências americanas, seja pela via republicana (América espanhola) seja pela via imperial (caso brasileiro). A Inglaterra e os Estados Unidos, os primeiros a reconhecerem o Brasil independente, o fizeram contra os ditames da Santa Aliança.

  4. O Império no Brasil resultou, em última instância, da força das oligarquias provinciais.

    Há possibilidade de resposta dúbia, tendo em vista que houve, sim, importante peso da aristocracia rural brasileira das províncias no processo de independência. No entanto, a independência não é resultante, “em última instância”, dessa causalidade determinante. A abertura dos portos aos ingleses, a transferência da Corte de Lisboa para o Rio de Janeiro, entre outros fatores sistêmicos e externos ao Brasil, inclusive o contexto latino-americano, pesaram no nascimento do Império.