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Padrão de Resposta
O período iniciado após a redemocratização do regime político nacional é marcado por avanços e recuos em relação ao peso do tema do desenvolvimento na inserção internacional do Brasil. Esses têm sido caracterizados, em cada momento, pelos fatores condicionantes impostos pelo contexto internacional, que facilitaram ou dificultaram a obtenção de uma resultante de política externa com maior ou menor ênfase na autonomia.
O contexto internacional do momento da redemocratização era caracterizado pela rebipolarização entre as potências da Guerra Fria, pela alta dos juros internacionais e pela crise da dívida externa dos países em desenvolvimento. Internamente, esse contexto significou o esgotamento do modelo nacional-desenvolvimentrata, aplicado de maneira geral, desde a década de 1930.
Assim, durante o governo Sarney, restava pouco espaço de manobra para que o Itamaraty praticasse política externa voltada para o desenvolvimento nacional. O recrudescimento das tensões bipolares dificultou a busca pela autonomia. O aumento dos processos de integração regional também acarretou maior ênfase no protecionismo por parte dos paises desenvolvidos. Dentro desse contexto, o governo Sarney tratou de incrementar suas relações regionais, iniciando processo de integração econômica e comercial com a Argentina, que resultaria na criação do MERCOSUL, em 1991.
O Brasil passa a sentir, então, a partir do governo Collor, o peso da globalização como fator condicionante de sua política desenvolvimentista. Inicia-se o processo de desmantelamento do estado, de acordo com os preceitos do Consenso de Washington, por meio das privatizações da infra-estrutura estatal. A ênfase da política externa migra do desenvolvimento autônomo para a autonomia pela participação, conforme conceito proposto por Gelson Fonseca Jr. O objetivo é integrar o país à economia global e aos regimes internacionais, credenciando-o a ser palco da globalização e de seus processos de acumulação. Esse processo cristaliza-se durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, após breve e infrutífera retomada de preceitos desenvolvimentistas no governo Itamar Franco.
Assim, na era FHC, o desenvolvimento foi buscado por meio da submissão à lógica da globalização, que pregava a retração da participação do Estado na economia e a atuação desimpedida do capital internacional. Os países em desenvolvimento perderam força e margem de manobra, tanto interna quanto externamente, frente à crescente internacionalização de suas economias. Portanto, o principal impacto da globalização na atuação dos países em desenvolvimento foi o de condicioná-los a fatores exógenos, sobre os quais não tinham controle.
A partir do governo Lula, ocorre uma inflexão nesse processo, no sentido de buscar novas alternativas para o desenvolvimento dos países do hemisfério sul. Busca-se a implantação do chamado Estado Logístico, capaz de proporcionar melhores condições de inserção internacional por meio da criação de condições para a multinacionalização das empresas nacionais, tanto privadas quanto estatais.
Na política externa, sob Celso Amorim, procura-se retornar aos preceitos que orientaram a política externa independente de Jânio Quadros e João Goulart, assim como o pragmatismo responsável implementado por Azevedo da Silveira no governo Ernesto Geisel. Dessa forma, configurou-se atuação internacional mais pragmática, buscando autonomia e desenvolvimento por meio da formação de parcerias multilaterais entre países em desenvolvimento, a fim de reforçar as bases de sua atuação internacional. Nesse contexto insere-se a formação de parcerias como o fórum IBAS, entre Índia, Brasil e África do Sul e a maior cooperação com paises do hemisfério sul, como é o caso da China. Ademais, buscou-se o fortalecimento do Mercosul como forma de inserção internacional conjunta do continente na economia-mundo. Por último, parcerias Sul-Sul também foram formadas para atuar em organismos internacionais na busca do desenvolvimento, como o G20, criado por iniciativa do Brasil para defender a abertura dos mercados agrícolas aos países em desenvolvimento, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), mais precisamente na Rodada Doha.
Em síntese, é possível concluir que o Itamaraty buscou adaptar-se às condicionalidades impostas pela globalização a fim de manter a atuação externa do país no sentido de incentivar o desenvolvimento sustentável. Tal esforço foi empreendido, após a redemocratização, por meio da busca de novo paradigma orientador da atuação externa do Estado