Se é certo que o processo de abertura, no Brasil, durante os governos Geisel e Figueiredo, foi impulsionado, no primeiro momento, pelas contradições do aparelho militar, não devemos ignorar o papel exercido pela oposição e pelas associações tradicionais na defesa das liberdades democráticas. Com uma visão mais ampla e, portanto, menos conjuntural, convém lembrar também as transformações da sociedade e das formas de organização gestadas no curso do governo militar.
Bóris Fausto; Fernando J. Devoto. Brasil e Argentina: um ensaio de história comparada (1850-2002). São Paulo: Ed. 34, 2004, p. 454-5 (com adaptações).
Tendo o texto como referência inicial, julgue (C ou E) os itens a seguir.
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Faziam parte das associações de defesa das liberdades democráticas, entre outras, a Ordem dos Advogados do Brasil, o Movimento Democrático Brasileiro, o Partido Trabalhista Brasileiro, a Conferência Nacional de Bispos do Brasil e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática.
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Entre as transformações da sociedade ocorridas nesse período, pode-se citar o surgimento de importante movimento operário na região do chamado ABC, em São Paulo.
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É exemplo de contradição no aparelho militar a posição dos jovens oficiais, que, já influenciados por ideias de modernização política, mostravam-se contrários à censura prévia da imprensa, medida adotada por Geisel, o qual, por sua vez, agira pressionado pela alta oficialidade que havia participado diretamente do golpe de 1964.
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O governo Geisel não conseguiu vencer a forte resistência provinda do setor contrário à abertura política, o que se evidenciou pelo recrudescimento das torturas de presos políticos. Coube ao governo seguinte, o do general Figueiredo, controlar esse setor e criar as condições para o retorno à democracia, o que ocorreu com a extinção do Ato Institucional n.o 5 e com a assinatura do ato de anistia política.