D. Picucha Terra Fagundes, conte alguma coisa da sua vida. (…)
Onde está seu marido? Enterrado em chão castelhano. Morreu na Cisplatina. (…)
Dei tudo o que tinha pros Farrapos. Meus sete filhos. Meus sete cavalos. Minhas sete vacas. Fiquei sozinha nesta casa com um gato e um pintassilgo. E Deus, naturalmente. (…)
E o tempo continuava a andar num tranco lento de boi lerdo. Entrava inverno, saía inverno. E a guerra nada de acabar. (…)
Ah! Ia me esquecendo de lhe dizer que tenho sete netos, todos homens.
Quando vejo eles, que já estão grandotes, sinto um calafrio pensando noutra guerra.
Erico Verissimo. O tempo e o vento: o continente. 31.ª ed., Porto Alegre: Editora Globo, 1995, p. 310-15.
Relativamente ao período conhecido como regencial, que se estende da abdicação de Pedro I (1831) ao Golpe da Maioridade (1840), assinale a opção correta.
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Acusado de montar um ministério que atendia exclusivamente aos interesses das elites locais, D. Pedro I perdeu o apoio da influente comunidade lusa no Brasil, o que fomentou clima de insegurança que tornou insustentável a manutenção do seu governo.
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A Constituição do Império (1824) foi modificada em aspectos essenciais poucos anos depois de iniciada a fase regencial, e o Ato Adicional de 1834 interrompeu a descentralização político-administrativa que se iniciava: as províncias, que deixaram de contar com assembleias legislativas, perderam a prerrogativa de elaborar suas próprias leis.
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No período regencial, além da Farroupilha, outros movimentos armados eclodiram no Brasil: no Grão-Pará, a Cabanagem; no Maranhão e no Piauí, a Balaiada; na Bahia, a Sabinada e a revolta dos Malês, esta referente a uma insurreição escrava planejada por africanos muçulmanos.
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A Noite das Garrafadas, episódio em que portugueses atacaram, no Rio de Janeiro, um grupo de brasileiros que prestava homenagem a D. Pedro I, culminou no assassinato de Líbero Badaró, jornalista que se tornara famoso pelos artigos que publicava em apoio ao imperador e em defesa da luta intransigente para a expulsão dos portugueses do Brasil.
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Na raiz da Guerra Farroupilha encontra-se a forte influência republicana dos países fronteiriços sobre estancieiros e charqueadores do Rio Grande do Sul, os quais, visando à expansão de seus negócios, exigiram do governo imperial a proibição da entrada, no mercado brasileiro, da carne salgada produzida no Uruguai e na Argentina.