CACD

HISTÓRIA DO BRASIL 2012
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Questão q1 de 2012

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Desde 1934 — Lampião à solta, Antônio Silvino1
preso no Recife, Sinhô Pereira arribado para os lados de Minas
Gerais — Clarival Valladares despertava para o mundo de
significados que o cangaceiro carregava penduradas,4
afiveladas, cravadas ou costuradas no conjunto do traje e nos
equipamentos, como ainda hoje se vê no aguadeiro das feiras
do Marrocos, as cartucheiras envernizadas e bem ajoujadas ao7
corpo, a não deverem homenagem — senão a requerê-la — à
guarda de um Ibn-Saud. Com a população portuguesa drenada
para a aventura da Índia, foi o moçárabe, em boa parte, que10
veio povoar o Brasil. Presença viva na cultura brasileira, a
árabe, por suas muitas composições, teve aulas a dar em maior
número a um sertão de 500 mm de chuva anual que a uma13
faixa litorânea de fáceis 1.500 mm. O que Valladares percebeu
foi a raiz pastoril da estética do cangaço, encantando-se por ver
que a do guerreiro ia muito além da que pontuava as alfaias16
magras do pastor, por não se ver empobrecida pelo teto
limitador da funcionalidade, capaz de explicar tudo na
vestimenta do vaqueiro. Para ele, assim:19
O traje do cangaceiro é um dos exemplos
demonstrativos do comportamento arcaico brasileiro. Ao invés
de procurar camuflagem para a proteção do combatente, é22
adornado de espelhos, moedas, metais, botões e recortes
multicores, tornando-se um alvo de fácil visibilidade até no
escuro. Lembremo-nos, entretanto, que, no entendimento do25
comportamento arcaico, o homem está ligado e dependente ao
sobrenatural, em nome do qual ele exerce uma missão, lidera
um grupo, desafia porque se acredita protegido e inviolável e,28
de fato, desligado do componente da morte. Esta explicação,
embora sumária, de algum modo justifica a incidência da
superfluidade ornamental no traje do cangaceiro, que, antes31
de sua implicação mística, deriva do empírico traje do
vaqueiro.
Frederico Pernambucano de Mello. Estrelas de couro — a estética do
cangaço. São Paulo: Escrituras, 2010, p. 48-9 (com adaptações).

Em relação às ideias do texto, julgue (C ou E) os itens que se seguem.

  1. Pelas relações estabelecidas no texto, conclui-se que a cultura árabe influenciou a cultura brasileira do sertão, tendo deixado marcas em acessórios de que se valeram os cangaceiros brasileiros.

  2. Pela análise da vestimenta do cangaceiro, pretende-se demonstrar o caráter profundamente místico desse combatente “dependente ao sobrenatural”, que contrasta com o vaqueiro, caracterizado pelo “teto limitador da funcionalidade”, sem qualquer anseio místico ou submissão às crenças relacionadas ao sobrenatural.

  3. Dos trechos “Lampião à solta” e “Sinhô Pereira arribado para os lados de Minas Gerais” depreende-se que a mobilidade dos cangaceiros devia-se ao exercício da missão mística de ampliação dos limites geográficos dos estados brasileiros.

  4. Depreende-se da leitura do texto que Clarival Valladares iniciou o estudo sobre o significado das vestimentas e do comportamento dos cangaceiros a partir de 1934, quando ocorreram os sinais de que o cangaço havia deixado de ser uma ameaça ao poder local.