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Padrão de Resposta
A fundação do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), na década de 1950, foi determinante para a consolidação do pensamento político e social nacional, bem como para a formulação seguinte da política externa brasileira. Eram intensos os debates ideológicos acerca da Guerra Fria no país, com repercussão nos movimentos políticos e em movimentos sociais, que discutiam a maneira pela qual o Estado brasileiro deveria se comportar, tanto interna quanto externamente. O posicionamento do Iseb foi determinante para a continuidade do projeto nacional-desenvolvimentista, a qual consequentemente influenciou a política exterior do período, colocada a serviço dos interesses nacionais.
O Iseb foi fundado em 1955, na gestão do presidente Café Filho, com o objetivo de debater a política e a sociedade brasileiras, em momento de avanço da urbanização e da industrialização no país e de intensos debates ideológicos, fruto da Guerra Fria e do embate bipolar entre EUA e URSS.
Progressivamente, o pensamento político e social do Instituto foi-se identificando com grupos ligados ao nacional-desenvolvimentismo, projeto iniciado nos anos 1930, por Getúlio Vargas. Dessa maneira, o Iseb passou a advogar um desenvolvimento independente, não subordinado a interesses do capital estrangeiro e com base no fortalecimento do mercado interno nacional, que apresentava perspectivas de crescimento.
No âmbito interno, o Iseb identificou-se com o pensamento social e político de grupos denominados “nacionalistas”, em oposição a grupos favoráveis à participação do capital estrangeiro no desenvolvimento do país – chamados por Hélio Jaguaribe de “cosmopolitas”. Exemplificativamente, o pensamento do Iseb influenciou o trabalhismo do PTB e sua atuação na aprovação de nova Lei restringindo a remessa de lucros e dividendos de empresas estrangeiras no Brasil para o exterior e na criação da Eletrobras, nos moldes da aprovação da Petrobras, durante a gestão João Goulart (1962). Crescentemente, foram ocorrendo embates entre o pensamento do Iseb e o de grupos ligados ao capital estrangeiro, como Adep, Ibad e CIA. Esses movimentos também repercutiram na diplomacia nacional.
No contexto externo, o pensamento do Iseb influenciou a formulação de novos conceitos da diplomacia nacional, havendo o setor externo sido colocado a serviço do desenvolvimento do Brasil. Dessa forma, o nacional-desenvolvimentismo em certa medida associado à participação do capital estrangeiro de JK deu lugar à formulação de conceitos como o de inserção internacional autônoma do Brasil, pragmatismo, não alinhamento ideológico e diversificação de parcerias, que foram paradigmas, por exemplo, da Política Externa Independente (1961-1964) e do Pragmatismo Responsável e Ecumênico (1974-1979). Dessa forma, e visando ao interesse nacional, o Governo João Goulart restabeleceu relações diplomáticas com a URSS e com países do Leste Europeu (fortalecimento da Coleste no MRE), ao passo que Ernesto Geisel iniciou a consolidação da política africanista nacional e estabeleceu relações diplomáticas com a China comunista. Esses conceitos, em certa medida, permanecem até os dias atuais na política externa nacional.
A criação do Iseb, em 1955, foi determinante para a formulação do pensamento social e político nacional. Suas teses repercutiram nos contextos interno e externo brasileiros, havendo contribuído para o desenvolvimento e uma inserção internacional autônoma do país.