A Petrobras completa, em 2013, sessenta anos de sua criação. Comente sua evolução histórica na formação do cenário brasileiro nos anos 1970 e na política externa nacional desse período.
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A Petrobras completa, em 2013, sessenta anos de sua criação. Comente sua evolução histórica na formação do cenário brasileiro nos anos 1970 e na política externa nacional desse período.
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Em 2013, o lema “O petróleo é nosso” ecoou nos meios de comunicação no contexto de leilões para exploração dos recursos do Campo de Libra, no Pré-sal. Esse fato demonstra a maneira como a criação da Petrobrás e sua história permanecem vivas na memória coletiva nacional, o que se atribui a sua importante atuação desde 1953 até a década de 1970, chegando aos dias atuais. Na formação do cenário brasileiro nos anos 1970, a Petrobrás foi importante para a alavancagem do desenvolvimento, para o pragmatismo e para o interesse nacional, que caracterizaram a política externa do período.
As origens da Petrobrás são importantes para a compreensão do protagonismo assumido por essa empresa, desde sua criação até a década de 1970. Em 1938, encontram-se as primeiras reservas de petróleo no Brasil na região do Recôncavo Baiano, o que suscita debates acerca da exploração desse recurso. Em 1946, a nova Constituição autorizava uma exploração conjunta dos recursos do subsolo, o que, somado às novas descobertas de reservas de hidrocarbonetos, levou à criação do Centro de Estudos e de Defesa do Petróleo, com sede no automóvel clube no Rio de Janeiro, que lançaria a campanha “O Petróleo é nosso”, já no segundo governo Vargas. Essa campanha, uma das maiores manifestações públicas da história nacional, dividiu a sociedade e criou divergências dentro de importantes partidos políticos, como a UDN, resultando na criação da Petrobrás, por meio da Lei nº 2004/53.
A partir de sua criação, a Petrobrás tornou-se um emblema do desenvolvimentismo, que foi a tônica da política externa brasileira após 1950. No final da década de 1960, a descoberta pela Petrobrás de reservas de petróleo “offshore” na costa de Alagoas-Sergipe, no campo de Guaricema, prenunciava a expansão das atividades petrolíferas brasileiras. Em um momento em que a conjuntura internacional se caracterizava pela concentração da produção petrolífera no Oriente Médio, como evidenciaria o choque do petróleo de 1973, as descobertas de reservas em 1968 impulsionaram o Brasil a conscientizar-se de sua vulnerabilidade energética e a buscar a diversificação de parcerias, bem como o aprimoramento da produção e da exploração interna.
Durante os governos Médici e Geisel, a Petrobrás ganha um novo protagonismo, que se reflete na política externa do interesse nacional e do pragmatismo responsável e ecumênico. As reservas encontradas pela Petrobrás na Bacia de Campos, no campo de Garoupa, abriram espaço para uma política externa dos hidrocarbonetos, que influenciava o Itamaraty a buscar parceiros no Oriente Médio e na África. Dessa forma, o estabelecimento de relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos e com o Sultanato de Omã, bem como a busca de uma guinada para a África, exemplificada pela aproximação com Angola e com a Nigéria, é influenciada também pela incipiente percepção da necessidade de internacionalizar a Petrobrás, levando-a à Ásia e à África.
Além da diversificação de parcerias, influenciada pelo desenvolvimento crescente da Petrobrás, é imprescindível destacar sua relevância para a autoconfiança das empresas nacionais e para sua internacionalização. No contexto do IIº PND, a obtenção de empréstimos externos ficou a cargo das empresas públicas, detentoras de maior credibilidade, destacando-se o crescimento da influência da Petrobrás. A partir da década de 1970, a exploração conjunta de campos e de poços em outros países contribuiu para internacionalizar a marca “Brasil”, além de favorecer o desenvolvimento da cooperação técnica, englobando o setor privado nacional.
No marco de seus 60 anos, reconhece-se a importância da Petrobrás para o desenvolvimento e para a política interna e externa nacional. Pode-se considerar que essa empresa atuou como um elo desenvolvimentista, responsável, em certa medida, pelo reforço de traços de continuidade na política interna e externa nacional, ao favorecer o pragmatismo, a autonomia e, sobretudo, o desenvolvimento como aspecto norteador da política externa brasileira.
Em 2013, o lema “O petróleo é nosso” ecoou nos meios de comunicação no contexto de leilões para exploração dos recursos do Campo de Libra, no Pré-sal. Esse fato demonstra a maneira como a criação da Petrobrás e sua história permanecem vivas na memória coletiva nacional, o que se atribui a sua importante atuação desde 1953 até a década de 1970, chegando aos dias atuais. Na formação do cenário brasileiro nos anos 1970, a Petrobrás foi importante para a alavancagem do desenvolvimento, para o pragmatismo e para o interesse nacional, que caracterizaram a política externa do período.
As origens da Petrobrás são importantes para a compreensão do protagonismo assumido por essa empresa, desde sua criação até a década de 1970. Em 1938, encontram-se as primeiras reservas de petróleo no Brasil na região do Recôncavo Baiano, o que suscita debates acerca da exploração desse recurso. Em 1946, a nova Constituição autorizava uma exploração conjunta dos recursos do subsolo, o que, somado às novas descobertas de reservas de hidrocarbonetos, levou à criação do Centro de Estudos e de Defesa do Petróleo, com sede no automóvel clube no Rio de Janeiro, que lançaria a campanha “O Petróleo é nosso”, já no segundo governo Vargas. Essa campanha, uma das maiores manifestações públicas da história nacional, dividiu a sociedade e criou divergências dentro de importantes partidos políticos, como a UDN, resultando na criação da Petrobrás, por meio da Lei nº 2004/53.
A partir de sua criação, a Petrobrás tornou-se um emblema do desenvolvimentismo, que foi a tônica da política externa brasileira após 1950. No final da década de 1960, a descoberta pela Petrobrás de reservas de petróleo “offshore” na costa de Alagoas-Sergipe, no campo de Guaricema, prenunciava a expansão das atividades petrolíferas brasileiras. Em um momento em que a conjuntura internacional se caracterizava pela concentração da produção petrolífera no Oriente Médio, como evidenciaria o choque do petróleo de 1973, as descobertas de reservas em 1968 impulsionaram o Brasil a conscientizar-se de sua vulnerabilidade energética e a buscar a diversificação de parcerias, bem como o aprimoramento da produção e da exploração interna.
Durante os governos Médici e Geisel, a Petrobrás ganha um novo protagonismo, que se reflete na política externa do interesse nacional e do pragmatismo responsável e ecumênico. As reservas encontradas pela Petrobrás na Bacia de Campos, no campo de Garoupa, abriram espaço para uma política externa dos hidrocarbonetos, que influenciava o Itamaraty a buscar parceiros no Oriente Médio e na África. Dessa forma, o estabelecimento de relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos e com o Sultanato de Omã, bem como a busca de uma guinada para a África, exemplificada pela aproximação com Angola e com a Nigéria, é influenciada também pela incipiente percepção da necessidade de internacionalizar a Petrobrás, levando-a à Ásia e à África.
Além da diversificação de parcerias, influenciada pelo desenvolvimento crescente da Petrobrás, é imprescindível destacar sua relevância para a autoconfiança das empresas nacionais e para sua internacionalização. No contexto do IIº PND, a obtenção de empréstimos externos ficou a cargo das empresas públicas, detentoras de maior credibilidade, destacando-se o crescimento da influência da Petrobrás. A partir da década de 1970, a exploração conjunta de campos e de poços em outros países contribuiu para internacionalizar a marca “Brasil”, além de favorecer o desenvolvimento da cooperação técnica, englobando o setor privado nacional.
No marco de seus 60 anos, reconhece-se a importância da Petrobrás para o desenvolvimento e para a política interna e externa nacional. Pode-se considerar que essa empresa atuou como um elo desenvolvimentista, responsável, em certa medida, pelo reforço de traços de continuidade na política interna e externa nacional, ao favorecer o pragmatismo, a autonomia e, sobretudo, o desenvolvimento como aspecto norteador da política externa brasileira.