Disserte sobre a Missão Abbink.
Extensão máxima do texto: 60 linhas
[valor: 20 pontos]
Disserte sobre a Missão Abbink.
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O governo Dutra inicia-se como um momento de grandes expectativas. O Brasil redemocratizava-se, superando a ditadura do Estado Novo, crescia e se industrializava, tendo acumulado divisas durante a Segunda Guerra Mundial, e tinha suposta “aliança especial” com a grande superpotência que emergia na ordem mundial do pós-guerra. Nesse contexto, a Missão Abbink poderia ser a correspondência das expectativas brasileiras, mas não o foi. Essa missão acabou desapontando os formuladores de política externa brasileira e pode ser incluída aos episódios que levaram o governo a redigir um “Memorando de Frustração” endereçado aos Estados Unidos.
Com base na crença da existência de uma “aliança especial” entre Brasil e EUA, o governo Dutra alinhou-se automaticamente à grande potência, sem obter as recompensas esperadas. Nessa lógica, o Brasil sediou a reunião que concebeu o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, apoiou a Carta de Bogotá, que criava a Organização dos Estados Americanos e acompanhou o voto norte-americano na ONU contra o ingresso da República Popular da China. Apesar de ter favorecido a consolidação da hegemonia norte-americana sobre a América Latina, o Brasil teve suas expectativas frustradas, pois não tinha mais o peso estratégico que tivera no âmbito da Segunda Guerra Mundial no novo cenário da Guerra Fria. Nesse novo contexto, a América Latina era vista como área de influência norte-americana, sem riscos de cair sob a esfera comunista, de forma que a atenção de Washington voltava-se ao Extremo Oriente e à necessidade de reconstrução da Europa. O Brasil, em segundo plano, não tinha como manter a “política de barganhas” empregada por Vargas, tendo de contentar-se com um alinhamento ideológico pautado no anticomunismo.
A Missão Abbink, embora apenas técnica, foi vista com grande expectativa pelo governo brasileiro, que pretendia utilizá-la para a promoção do desenvolvimento nacional. A missão tinha escopo reduzido, limitando-se a fazer análises técnicas acerca da situação interna do país, de forma a identificar possíveis gargalos da economia. Esses estudos, que eram entendidos como continuação dos esforços empreendidos pela Missão Cooke, negociada ainda no contexto da Segunda Guerra, permitiria ao governo brasileiro identificar áreas prioritárias de investimento. Esperava-se que, com isso, o país fosse capaz de atrair investimentos privados, uma vez que os EUA não disponibilizariam recursos públicos. Esses investimentos, por sua vez, eram condição para que o Brasil desse continuidade ao processo de substituição de importações, mantendo os esforços de industrialização do país.
Não obstante, a Missão Abbink ficou muito aquém das expectativas brasileiras, tendo poucos, e breves, resultados práticos. Além de não se traduzir na atração de recursos, a missão também foi incompleta em seu diagnóstico da situação econômica brasileira, legando estatísticas pouco precisas. Um de seus poucos resultados foi a utilização de alguns dos dados levantados para a formulação do Plano Salte, o qual buscou canalizar os escassos recursos nacionais para setores considerados prioritários. Mesmo assim, a implementação desse plano foi limitada, não produzindo grandes transformações no sistema econômico brasileiro e sendo abandonado quando da recondução de Getúlio Vargas ao poder, em 1951. Dessa forma, a Missão Abbink desapontou o governo brasileiro e enfraqueceu o projeto liberal-conservador de desenvolvimento nacional, o qual defendia o “desenvolvimento associado” ao capital estrangeiro. Analogamente, reforçou a posição dos defensores do nacional-estatismo, que tinham certas reservas em relação ao capital estrangeiro e ao alinhamento automático com os EUA.
A Missão Abbink pode ser entendida, portanto, como parte do que Gerson Moura chamou de “alinhamento sem recompensas” do governo Dutra. Esse governo começou entusiasmado com a “aliança especial” e terminou com o amargor do Memorando de Frustração entregue à embaixada norte-americana. O lançamento da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, na transição para o Segundo Governo Vargas, renovaria as esperanças brasileiras na relação com os EUA, levando o Brasil à tentativa de “barganha nacionalista”. Porém, novamente há frustrações, arrefecendo a “aliança especial”.
O governo Dutra inicia-se como um momento de grandes expectativas. O Brasil redemocratizava-se, superando a ditadura do Estado Novo, crescia e se industrializava, tendo acumulado divisas durante a Segunda Guerra Mundial, e tinha suposta “aliança especial” com a grande superpotência que emergia na ordem mundial do pós-guerra. Nesse contexto, a Missão Abbink poderia ser a correspondência das expectativas brasileiras, mas não o foi. Essa missão acabou desapontando os formuladores de política externa brasileira e pode ser incluída aos episódios que levaram o governo a redigir um “Memorando de Frustração” endereçado aos Estados Unidos.
Com base na crença da existência de uma “aliança especial” entre Brasil e EUA, o governo Dutra alinhou-se automaticamente à grande potência, sem obter as recompensas esperadas. Nessa lógica, o Brasil sediou a reunião que concebeu o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, apoiou a Carta de Bogotá, que criava a Organização dos Estados Americanos e acompanhou o voto norte-americano na ONU contra o ingresso da República Popular da China. Apesar de ter favorecido a consolidação da hegemonia norte-americana sobre a América Latina, o Brasil teve suas expectativas frustradas, pois não tinha mais o peso estratégico que tivera no âmbito da Segunda Guerra Mundial no novo cenário da Guerra Fria. Nesse novo contexto, a América Latina era vista como área de influência norte-americana, sem riscos de cair sob a esfera comunista, de forma que a atenção de Washington voltava-se ao Extremo Oriente e à necessidade de reconstrução da Europa. O Brasil, em segundo plano, não tinha como manter a “política de barganhas” empregada por Vargas, tendo de contentar-se com um alinhamento ideológico pautado no anticomunismo.
A Missão Abbink, embora apenas técnica, foi vista com grande expectativa pelo governo brasileiro, que pretendia utilizá-la para a promoção do desenvolvimento nacional. A missão tinha escopo reduzido, limitando-se a fazer análises técnicas acerca da situação interna do país, de forma a identificar possíveis gargalos da economia. Esses estudos, que eram entendidos como continuação dos esforços empreendidos pela Missão Cooke, negociada ainda no contexto da Segunda Guerra, permitiria ao governo brasileiro identificar áreas prioritárias de investimento. Esperava-se que, com isso, o país fosse capaz de atrair investimentos privados, uma vez que os EUA não disponibilizariam recursos públicos. Esses investimentos, por sua vez, eram condição para que o Brasil desse continuidade ao processo de substituição de importações, mantendo os esforços de industrialização do país.
Não obstante, a Missão Abbink ficou muito aquém das expectativas brasileiras, tendo poucos, e breves, resultados práticos. Além de não se traduzir na atração de recursos, a missão também foi incompleta em seu diagnóstico da situação econômica brasileira, legando estatísticas pouco precisas. Um de seus poucos resultados foi a utilização de alguns dos dados levantados para a formulação do Plano Salte, o qual buscou canalizar os escassos recursos nacionais para setores considerados prioritários. Mesmo assim, a implementação desse plano foi limitada, não produzindo grandes transformações no sistema econômico brasileiro e sendo abandonado quando da recondução de Getúlio Vargas ao poder, em 1951. Dessa forma, a Missão Abbink desapontou o governo brasileiro e enfraqueceu o projeto liberal-conservador de desenvolvimento nacional, o qual defendia o “desenvolvimento associado” ao capital estrangeiro. Analogamente, reforçou a posição dos defensores do nacional-estatismo, que tinham certas reservas em relação ao capital estrangeiro e ao alinhamento automático com os EUA.
A Missão Abbink pode ser entendida, portanto, como parte do que Gerson Moura chamou de “alinhamento sem recompensas” do governo Dutra. Esse governo começou entusiasmado com a “aliança especial” e terminou com o amargor do Memorando de Frustração entregue à embaixada norte-americana. O lançamento da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, na transição para o Segundo Governo Vargas, renovaria as esperanças brasileiras na relação com os EUA, levando o Brasil à tentativa de “barganha nacionalista”. Porém, novamente há frustrações, arrefecendo a “aliança especial”.