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O longo processo de abolição contou com importantes marcos legai que foram, aos poucos, diminuindo a importância da escravidão na sociedade brasileira e, por fim, resultaram na abolição da escravidão. Entre os marcos mais importantes merecem citação: a proibição definitiva do tráfico de escravos, de 1850; a Lei do ventre livre; a lei dos sexagenários e, por fim, a lei Áurea.
A proibição do tráfico, de 1850, insere-se no contexto geopolítico conturbado desse ano. A armada da Inglaterra, após o fim da intervenção no Uruguai, estava livre para fazer valer a Bill Aberdeen, combatendo o tráfico de escravos. O Brasil preparava-se para intervir no prata contra Oribe e Rosas e, portanto, desejava evitar conflitos com a Inglaterra. Além disso, a enorme importação de escravos nos anos anteriores implicava numa menor oposição dos fazendeiros ao fim do tráfico. Esses fazendeiros, inclusive, estavam, em sua maioria endividados com os traficantes e não ofereceram resistência à proibição do tráfico. Não houve, portanto, grandes polemicas no parlamento e a lei foi aprovada com facilidade.
A aprovação da Lei do ventre livre, entretanto, foi muito mais polêmica. Desde o fim da guerra do Paraguai, o Imperador deixou claro que desejava aprovar uma lei desse gênero. Muitos gabinetes fracassaram na tentativa de aprovar essa lei. O gabinete do Visconde do Rio Branco, do partido conservador, foi capaz de aprovar a lei em 1871, que deixava todos os escravos nascidos apartir de então livres. Rio Branco foi capaz de aprovar a lei pois obteve o apoio dos conservadores do nordeste, que já não eram tão dependentes da mão de obra escrava, e de parlamentares que eram funcionários públicos e, portanto, mais vulneráveis às pressões do executivo. Os conservadores do RJ e de SP, entretanto, foram, em sua maioria, contra. Essa lei não teve consequencias práticas, já que os filhos de escravos permaneciam sob a tutela de seus antigos mestres e poucos realmente foram libertos. Politicamente, entretanto, essa lei alienou muitos apoiadores da monarquia, que, posteriormente, viriam a fortalecer o movimento republicano. A lei dos sexagenários, que libertou escravos idosos, não teve, igualmente, efeitos significativos.
A Lei Aurea libertou todos os escravos e não previa nenhuma indenização aos antigos donos. A lei foi aprovada com facilidade no parlamento, sofrendo a oposição pouco significativa dos conservadores do RJ. Essa lei teve importantes consequências políticas uma vez que alienou um dos principais pilares de sustentação da monarquia: os cafeicultores do Vale do Paraíba. Muitos deles passaram a apoiar o movimento republicano, esperando, em vão, obter indenização pela perda dos escravos.
O processo de abolição foi, aos poucos, enfraquecendo a monarquia. As leis do ventre livre e Áurea enfraqueceram significativamente a base de sustentação do regime monárquico, que era a classe de latifundiarios, especialmente os voltados para a exportação. A lei do Ventre livre foi percebida como um capricho do Imperador e uma intervenção indevida do poder moderador nos assuntos parlamentares.
A lei áurea, por fim, alienou um dos poucos setores que ainda apoiavam fortemente a monarquia: os barões do café, abrindo caminho para a proclamação da República.