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Padrão de Resposta
O regime militar havia decidido, a despeito dos elementos
ligados à “linha dura”, realizar uma abertura “lenta, gradual e
segura” começando no governo Geisel. A lei Falcão e o “pacote de
abril” são exemplos desses movimentos, às vezes contraditórios,
de redução do poder de mobilização da oposição com esboços de
abertura, que começou de forma contundente com a extinção do
AI-5 (que havia suspendido o habeas corpus) em 1978. O
movimento de distensão fora também impactado pelo receio
ocasionado pela derrota nas eleições de 1974, que o MDB havia
obtido sucesso inesperado pelo regime.
Com a mudança do pacote de abril (1 emenda à constituição
de 1967 e 6 decretos-leis promulgados por Geisel), Figueiredo
assume, em 1979, para um mandato de 6 anos, ao dos quais
haveria eleições indiretas para presidente. O caráter ainda difuso
do MDB encetava situações em que era necessário ter criatividade
para lutar contra o regime pelas vias institucionais, com a
realização de manifestações políticas das mais diversas formas
nas ruas, nos shows e nos programas de televisão quando fosse
possível. Nesse sentido, destaca-se o movimento social mais
relevante da década de 1980, o Diretas Já!, que tomou o país entre
1983, e 1984 com demonstrações pacíficas de estudantes e da
sociedade civil inconformadas com o ritmo da abertura. Houve,
assim, a proposta da emenda Dante de Oliveira, para eleições
diretas em 1985, sem sucesso.
Assim, em vista da abertura política e do avanço com a volta
dos partidos, o nome de Tancredo Neves viabilizou-se como o
símbolo da sucessão presidencial e da volta do poder aos civis. Ele
havia protagonizado a oposição institucional à ARENA nos quadros
do MDB e era tido como resistência histórica ao regime, dada a sua
trajetória como político de MG. Por outro lado, para garantir o apoio
do máximo de representantes do colégio eleitoral, a ala moderada
da ARENA, transformada em PDS, ensejou a formação da chapa
Tancredo=Sarney (como vice). Ocorre que, com o fim da ARENA,
muitos congressistas que estavam ligados à base de apoio do
regime acabaram conformando o PDS. Embora não bem recebida
pela sociedade, essa solução de compromisso foi a que levou à
eleição de Tancredo em 1985.
Tancredo não tomou posse em 1986, em face de sua doença
e falecimento nos primeiros dias do ano. Sarney, como vice,
assumiu a presidência e tratou de endereçar o principal problema
econômico à época, a inflação. Com medidas heterodoxas de
controle de preços e indexação, o Plano Cruzado obteve sucesso
momentâneo, durante o ano de 1986, but com a piora nos
indicadores macroeconômicos a partir de 1987, criou-se forte
sentimento de insatisfação entre as massas populares. Desde o
segundo choque do petróleo, em 1979, a dívida brasileira externa
era motivo de fuga de capitais e desvalorização da moeda nacional,
sendo o Brasil obrigado a decretar moratória e pedir recursos ao
FMI. No plano doméstico, a população continuava alijada do
processo político do ponto de vista institucional, o que contribuía
para o sentimento de que pouco havia mudado (ou que as coisas
haviam piorado desde a abertura).
A Constituinte representou a esperança política de
renovação nacional. Com ampla participação popular, incluindo
numerosas historicamente alheias a produção das leis, a
Constituinte funcionou ao longo de meses para garantir a
elaboração de um leito constitucional moderno que firmasse o
federalismo e que contemplasse as demandas do povo brasileiro.
No contexto da Guerra Fria, era importante sublinhar o equilíbrio
entre a liberdade econômica e os princípios sociais elevados na
Carta. Com isso, o texto constitucional promulgado em 5 de
outubro de 1989 (a Constituição Cidadã), com discurso de Afonso
Arinos de Melo Franco, consubstanciou as esperanças do povo
brasileiro por estabilidade e pelo Estado Democrático de Direito. Ela
viabilizou a eleição direta no ano seguinte de Fernando Collor e
trouxe inúmeras inovações de ordem ambiental, social, da ordem
econômica e da repartição de receitas de arrecadação,
consolidando o modelo tripartite de pacto federativo (União,
Estados e Municípios). Além disso, contou com a participação dos
partidos políticos, dos movimentos sociais (ambientalistas,
comunidades indígenas, MST etc.) e de setores da sociedade civil
organizado na sua elaboração.
Durante toda a década de 1980, chamada “estagflação”
predominantemente. Ela caracteriza-se pela persistência da
inflação sem crescimento econômico, contrariando a curva de
Philips. As suas causas eram as dificuldades de balanço de
pagamentos (crise do petróleo e falta de liquidez internacional com
o aumento dos juros nos EUA com Paul Volcker). Com isso, houve
substancial imigração para o exterior, empobrecimento das classes
médias urbanas e a emergência de uma arte contestadora mesmo
após a queda da ditadura, substanciada no rock nacional dos anos
1980.