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Padrão de Resposta
Em 1917, o Brasil declarou guerra à Alemanha, o que marcou a entrada do
país na Primeira Guerra Mundial. Até então, o Brasil havia-se declarado
neutro na guerra, pois a Constituição Federal de 1892 apregoava a neutralidade do país em conflitos. A neutralidade, entretanto, foi tornando-se
insustentável com os ataques alemães às embarcações brasileiras, notadamente os navios comerciais Paraná, Tijuca e Lapa. Esses ataques levaram
a manifestações populares contra os ataques alemães e a favor da entrada
do Brasil na guerra, especialmente nos estados do Rio de Janeiro e de São
Paulo.
Na imprensa brasileira, inaugurou-se um debate intelectual sobre a entrada
do Brasil na guerra, com três posições: os germanófilos, os neutrófilos e os
aliadófilos. Os germanófilos defendiam a causa alemã e a entrada do Brasil
na guerra a favor do Império Alemão. Essa posição se justifica, principalmente, pelos laços militares que o Brasil tinha com a Alemanha, pois já
havia treinado seus soldados em solo alemão. Esses soldados foram conhe-
cidos como “jovens turcos”. Os neutrófilos defendiam a neutralidade do
Brasil, pois uma guerra na Europa não era concernente ao Brasil e geraria
muitas despesas. Os aliadófilos, por sua vez, defendiam a entrada imediata
do Brasil na guerra, devido ao bombardeamento de navios brasileiros e aos
laços com a Europa. O chanceler Lauro Müller, embora tenha adotado
uma posição neutralista, logo foi caracterizado como germanófilo pela imprensa.
Nesse contexto, surgiu a Liga Brasileira pelos Aliados no início de 1917,
que tinha como objetivo mobilizar a opinião pública brasileira em favor da
entrada na guerra. Com a declaração de guerra submarina irrestrita pela
Alemanha, em 1917, a tensão entre o Brasil e o Império Alemão escalou,
pois houve o bombardeamento de mais de 20 navios comerciais brasileiros,
o que gerou revolta na opinião pública. Nesse período, os Estados Unidos
da América (EUA) ingressaram na guerra, rompendo décadas de isolacionismo norte-americano em assuntos europeus. Assim, os EUA instaram a
entrada dos países americanos na guerra, durante a Conferência Pan-Americana de 1917. A Grã-Bretanha, nesse contexto, ameaçou sancionar o
Brasil caso não declarasse guerra ao Império Alemão.
Assim, com o bombardeio de navios no litoral brasileiro por parte da Alemanha, o Brasil declarou guerra ao Império Alemão em outubro de 1917.
A contribuição brasileira para o esforço de guerra aliado foi significativa.
Antes da entrada na guerra, houve a saída de Lauro Müller e a entrada de
Nilo Peçanha, aliadófilo, na chancelaria brasileira. Assim, o Brasil enviou
uma missão de enfermeiros para o front e uma missão de aviadores para
treinar com a Grã-Bretanha. Esses aviadores, inclusive, fizeram missões de
reconhecimento com os britânicos. Além disso, o Brasil enviou missão naval para o Atlântico, a chamada DNOG, que participou da guerra na Costa
da África.
Como único país latino-americano a ter enviado combatentes à Primeira
Guerra Mundial, o Brasil saiu da guerra com prestígio. Com o fim da guerra, foram enviadas duas missões de treinamento de oficiais brasileiros, pois
a Alemanha, antes referência militar para o Brasil, não poderia mais sê-lo.
A primeira foi a missão militar francesa, que teve treinamento de combatentes e de veterinários. A segunda foi a missão naval americana, que treinou oficiais da Marinha com equipamentos modernos e colocou os EUA
como referência tecnológica no campo militar.
Após a guerra, na Conferência de Paz de Paris, o Brasil enviou três delegados. Com a declaração de guerra, em 1917, os navios alemães estavam na
costa brasileira e foram tomados pelo Brasil, os chamados “navios surtos”.
Esses navios foram vendidos à França. O Brasil também defendeu indenização por parte da Alemanha pelos navios bombardeados, o que logrou
êxito. Além disso, por sua participação na guerra, o Brasil defendeu sua
participação na Liga das Nações como membro permanente, o que não
aconteceu. Posteriormente, no governo Epitácio Pessoa, o país adotou a
postura de “ganhar ou não perder” em sua entrada como membro permanente. Quando a Alemanha ingressou como membro permanente, em detrimento do Brasil, o país abandonou a Liga das Nações e inaugurou um
período de certo isolacionismo externo.
Assim, a participação brasileira na Primeira Guerra Mundial saiu da neutralidade ao engajamento ativo na guerra, o que acarretou mudanças na política externa do Brasil, com o prestígio inicial e o isolamento após a saída
da Liga das Nações.