Texto para as questões 53 e 54.
O século XX coincidiu com a máxima expansão das categorias fundamentais do mundo moderno — sujeito e trabalho —, eixos que presidiram a atualização e exasperaram os limites do liberalismo e do socialismo, as duas grandes utopias da modernidade. Tais utopias não nasceram no século XX, mas este foi o laboratório mais distendido de todas elas, o campo concreto de experimento de suas virtualidades, das suas figuras e de sua imaginação. Talvez por isso o século XX exiba uma característica única e contraditória: parece ter sido o mais preparado e explicado pelos séculos anteriores e, simultaneamente, o que mais distanciou a humanidade de seu passado, mesmo o mais próximo, decretando o caráter obsoleto de formas de vida e sociabilidade consolidadas durante milênios.
O século XX foi o salto definitivo da humanidade para o futuro, para a história entendida como transformação permanente e fluxo contínuo do tempo em direção a um tempo de abundância e liberdade, perspectiva avalizada pela sistemática ampliação das promessas da ciência, da tecnologia, das novas modalidades de organização social e da produção material. Um século, portanto, de mandamentos utópicos que sacrificaram o passado e seus mitos, mudaram o ritmo da vida e ocidentalizaram a Terra, tornando-a mais homogênea e seduzida por semelhantes imagens de futuro. Nesse sentido, nada mais próximo e nada mais distante do século XIX do que o século XX.
Rubem Barboza Filho. Século XX: uma introdução (em forma de prefácio). In: Alberto Aggio e Milton Lahuerta (orgs.). Pensar o século XX: problemas políticos e história nacional na América Latina. São Paulo: Editora UNESP, 2003, p. 16 (com adaptações).
A partir das observações formuladas no texto, julgue (C ou E) os itens subseqüentes, considerando o desenrolar do século XX.
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Os regimes totalitários de direita comandaram os destinos de muitos países europeus, entre os anos 20 e 40 do século XX. O discurso nazifascista condenava o capitalismo, preconizando forte controle do Estado e das instituições políticas liberais e democráticas, consideradas incapazes de oferecer resposta rápida e satisfatória às demandas de uma sociedade em crise profunda.
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A Revolução Russa de 1917, com a coletivização dos meios de produção e o Estado posto a serviço dos trabalhadores, inaugura uma nova forma de utopia, que exerceria forte impacto na história do século XX, qual seja, a construção de uma sociedade distinta daquela que atendia aos interesses do capitalismo. A experiência soviética, contudo, ruiu em fins do século XX, não sem antes ter sido alvo de questionamento e de crítica, inclusive de setores da esquerda, quanto ao modelo político totalitário que adotara.
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Na Segunda Guerra Mundial, o Japão aliou-se à Alemanha, tal como já fizera na Primeira Guerra.
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Entre as características marcantes do século XX, uma enquadra-se perfeitamente no que o texto identifica como o fim “de formas de vida e sociabilidade consolidadas durante milênios”. Trata-se do fenômeno da urbanização, a alterar radicalmente, entre outros aspectos próprios da sociedade de massas, modos de pensar, consumir, morar, vestir-se, comunicar-se e locomover-se.