Para alguém que observasse o mundo dos anos 1960 e
o comparasse com o de 1870 ou 1880, nada seria mais
impressionante, talvez, que a mudança que se operou na estrutura
das relações internacionais. A explicação mais óbvia para essa
mudança é a exaustão da Europa em duas guerras mundiais. Isto,
somado à ascensão dos EUA e, paralelamente, à ascensão da
Rússia no plano das potências mundiais foram, de fato, os
acontecimentos decisivos que propiciaram o advento de um novo
período na política mundial.
Quando, no início de 1917, o presidente Wilson
proclamou que “não deve haver um equilíbrio de poder, mas uma
comunidade de poder, não rivalidades organizadas, mas uma paz
comum organizada”, ele estava anunciando, com efeito, que a
velha estrutura de relações internacionais ficara obsoleta em uma
época de política em escala mundial.
Depois da revolução bolchevista na Rússia, tomou forma
tangível a divisão do mundo em dois grandes blocos de potências
rivais, inspirados por ideologias manifestamente inconciliáveis.
Wilson e Lenin sabiam, desde o princípio, que estavam
competindo pelo sufrágio da humanidade; e foi para impedir que
Lenin ganhasse o monopólio dos planos de edificação do mundo
de pós-guerra que, em janeiro de 1918, Wilson publicou os seus
famosos Quatorze Pontos. “Wilson ou Lenin”, escreveu o
socialista francês Albert Thomas; “democracia ou bolchevismo…
uma escolha a fazer”.
Geoffrey Barraclough. Introdução à história contemporânea.
Rio de Janeiro: Zahar, 1964, p. 90-113 (com adaptações).
Infere-se do texto que “o advento de um novo período na política mundial”, no final do primeiro parágrafo, vincula-se, entre outros aspectos, ao(à)
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A fato de que a supremacia das potências européias, na passagem do século XIX ao XX, deixara de sofrer as contestações tão comuns à época da expansão imperialista.
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B substituição dos Estados nacionais pelas grandes corporações transnacionais na condução do processo de disputas por mercados consumidores e por áreas de investimentos.
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C Grande Guerra de 1914, responsável pela exclusão definitiva das potências derrotadas, como a Alemanha, das principais decisões mundiais.
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D surgimento de novos atores importantes no cenário internacional, a exemplo da Rússia, dos EUA e, no Extremo Oriente, do Japão.
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E recrudescimento da posição de liderança inconteste do sistema capitalista por parte dos países mais industrializados da Europa Ocidental, à frente dos quais se apresentavam França e Inglaterra.