CACD

HISTÓRIA MUNDIAL 2009
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Questão q8 de 2009

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Em Emílio, Rousseau constrói a temporalidade da vida1
de Emílio como uma ficção, jamais se teria proposto a aplicá-
la. O menino Emílio não existe, não existiu e não foi pensado
para existir. Trata-se de um artifício lógico-dedutivo para4
meditar sobre a educação e as orientações do ensino. Emílio
é alegoria para reflexão sobre o ato de educar as crianças.
Emílio, que não é filho, tampouco é aluno… É um construto7
teórico e um suporte operatório para a análise conceitual do
ato educativo.
Se o discípulo não se separa do mestre desde o10
nascimento até a maturidade, pode-se supor que o “criador”
do Emílio tenha pretendido que o relato da trajetória de vida
do ser individual correspondesse a uma reconstituição das13
etapas trilhadas pela espécie humana em direção à civilização.
Emílio, ao nascer, é o homem do estado de natureza; o Emílio
bem educado — que, aos 25 anos, se despede de seu educador16
— é o homem civil, que vive em uma sociedade corrompida,
mas que, a despeito disso, pode ser considerado apto para
fundar o legítimo contrato social. O traçado de educação de19
Emílio propõe-se ao educador como metáfora para reflexão,
uma meditação sobre a arte de formar os homens. Com a
mesma estrutura hipotético-dedutiva que orientara seus22
escritos políticos, Rousseau constrói seu educando — um
discípulo que não é e que não pretende ser empírico, mas que
tem sua própria temporalidade inscrita na narrativa dos seus25
primeiros 25 anos de vida em educação.
Carlota Boto. O Emílio como categoria operatória do pensamento rousseauniano.
In: José Oscar de Almeida Marques (Org.). Verdades e mentiras. 30 ensaios em torno
de Jean-Jacques Rousseau. Ijuí–RS: Unijuí, 2005, p. 379-84 (com adaptações).

Com relação às ideias do texto e aos seus aspectos textuais, julgue (C ou E) os seguintes itens.

  1. Existe consenso a respeito da ideia de que o “menino Emílio” (R.3) foi construído pelo filósofo francês, na obra Emílio, com propósito de orientação psicológica.

  2. Ao analisar a narrativa de Rousseau, a autora emprega, reiteradas vezes, o presente histórico — em vez dos tempos verbais pretéritos —, para imprimir assertividade à sua argumentação.

  3. A repetição de palavras e o uso de paráfrases contribuem para estabelecer a coesão do texto.

  4. A diversidade de temas no trecho “Trata-se … ato educativo.” (R.4-9) compromete a coerência do texto.