Desde o começo, o liberalismo europeu do século XIX foi marcado por contradições. Havia contradições nas atitudes liberais em relação ao passado, entre as ideias liberais quanto às táticas mais adequadas ao presente e ainda quanto aos projetos liberais de futuro. É por isso que tem sido tão difícil definir o liberalismo. Para os historiadores — da mesma maneira que, outrora, para os observadores contemporâneos — é complicado decidir até mesmo se o liberalismo deve ser considerado como um movimento de esquerda ou de direita.
Alan S. Kahan. Liberalism in nineteenth-century Europe. The political culture of limited suffrage. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2003, p. 1 (com adaptações).
A respeito da trajetória do liberalismo europeu do século XIX, referido no fragmento de texto de Alan S. Kahan, julgue (C ou E) os itens seguintes.
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Liberais atuantes na França da primeira metade do século XIX, como Benjamin Constant e François Guizot, notabilizaram-se por defender uma variante radical de liberalismo centrada na defesa do princípio da soberania popular e da ampliação do sufrágio.
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O liberalismo de Alexis de Tocqueville abriga uma apologia dos valores das classes médias baseada na crença da força civilizadora do comércio, popularizada por Adam Smith, entre outros.
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A despeito das dificuldades relativas à definição do termo, o liberalismo do século XIX distingue-se, em geral, pela preocupação com a proteção de direitos individuais fundamentais contra ameaças de intervenção arbitrária do Estado.
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No mundo de língua alemã, o liberalismo de Wilhelm von Humboldt, marcado por uma concepção deflacionista do Estado como simples meio destinado a garantir a segurança dos indivíduos, contrasta com a visão desenvolvida na filosofia política de Hegel, em que o Estado figurava como o lugar privilegiado da materialização da liberdade.