“Concerto europeu” é um termo genérico usado para designar a ordem multipolar de relações internacionais, estabelecida na Europa depois do Congresso de Viena (1814-1815), a qual passou por diferentes fases e modificações até colapsar completamente com o advento da Primeira Guerra Mundial.
A respeito dessa ordem, julgue (C ou E) os itens a seguir.
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O Congresso de Viena foi fundamentado doutrinariamente em três princípios políticos: o de legitimidade, o de equilíbrio e o de intervenção. O primeiro se referia à restauração das fronteiras modificadas pelas guerras napoleônicas. O segundo dizia respeito ao direito de as casas reais derrocadas por Napoleão recuperarem os respectivos tronos nacionais. O terceiro tratava da prerrogativa das potências continentais de intervir unilateralmente em outras nações, desde que estas representassem uma ameaça a seus territórios.
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A Santa Aliança foi uma coligação política e econômica internacional, de caráter conservador e feudalista – fomentada pelos governantes das dinastias Hohenzorllern, Romanov e Habsburgo –, que combateu, ao longo do século 19, os ideais liberais com relativo sucesso, como no caso do movimento pela independência da Grécia.
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Com os acontecimentos da Primavera dos Povos, o sistema acordado em Viena teve seu primeiro grande choque, representado especialmente por conflitos nacionalistas. Um exemplo disso foi a Primeira Guerra de Independência Italiana (também conhecida como Guerra Austro- Piemontesa ou Guerra Sardo-Austríaca), que colocou em causa o desenho das fronteiras estabelecidas em 1815.
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Apesar do impacto nas relações internacionais causado pela unificação da Alemanha em 1871, Guilherme I e Otto von Bismarck lograram revitalizar o Concerto Europeu com sua Kontinentalpolitik, que objetivava manter a ordem multipolar e o equilíbrio continental. A despeito de tratarem de assuntos extracontinentais, o Congresso de Berlim (1878) – que tinha como tema os Bálcãs – e a Conferência de Berlim (1884-1885) – centrada na partilha da África – enquadram-se nesse esforço. Em contraste, a Weltpolitik de Guilherme II e Bernhard von Büllow foi um dos fatores fundamentais da crise terminal do Sistema de Viena.