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Padrão de Resposta
Houve um tempo em que existiam, entre o espaço geográfico e a experiência cultural, conexões locais, autônomas, claras e bem definidas, robustas e culturalmente duradouras. Elas constituíam a “identidade cultural” de cada um, algo que as pessoas simplesmente “possuíam” como herança, um benefício de continuidade com o passado. A identidade, então, não era apenas uma descrição de pertencimento cultural, mas também um tesouro coletivo das comunidades locais; entretanto, ela mostrou-se frágil, dependente de proteção e de preservação. Nesse mundo com identidades culturais variadas e distintas, repentinamente irrompeu o poder corrosivo da globalização, que, seguindo a narrativa, varreu as diversas culturas do mundo como um maremoto, provocou uma homogeneização da experiência cultural orientada pelo mercado e, por conseguinte, obliterou as diferenças entre as culturas locais. Se as comunidades pertencentes ao “mainstream” do fluxo capitalista testemunharam a disseminação mundial de uma espécie de versão padronizada de suas culturas, foram as culturas “mais fracas” do mundo em desenvolvimento que sofreram a ameaça maior.