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Padrão de Resposta
O trem levou-me embora, através do cenário monstruoso. Era março, mas o clima havia estado terrivelmente frio e por toda parte havia montes de neve escurecida. Enquanto nos movíamos vagarosamente através da periferia da cidade, nós passamos por fileira após fileira de pequenos barracos cinzentos correndo em ângulos certos até o horizonte. Nos fundos de uma das casas, uma jovem mulher estava ajoelhada nas pedras, cutucando com um pedaço de pau o cano velho que saía da pia interior e o qual, eu suponho, estava entupido. Eu tive tempo de ver tudo sobre ela – seu avental rústico, suas botas desajeitadas, seus braços avermelhados pelo frio. Ela olhou para cima enquanto o trem passava, e eu estava quase próximo de capturar seu olhar. Ela tinha uma face redonda e pálida, a face comum de uma garota da periferia que tem vinte e cinco anos e parece ter quarenta, devido a abortos espontâneos e trabalho pesado; e tinha, desde o segundo em que vi, a mais desoladora e desesperançosa expressão que eu já vi. Pareceu-me, então, que estamos errados quando dizemos que “não é o mesmo para eles que seria para nós”, e que as pessoas que cresceram nas periferias só conseguem imaginar as periferias. Pois o que eu vi em sua face não era o sofrimento ignorante de um animal. Ela sabia bem o suficiente o que estava acontecendo com ela – entendia tão bem quanto eu quão terrível era o destino de estar ajoelhada ali no frio congelante, na lamacenta pedra do jardim dos fundos de uma periferia, cutucando com um pedaço de pau um cano de drenagem defeituoso.