×
Padrão de Resposta
Ao rememorar a conversa estranha, Clement enxergou isso como um momento de mudança. Lá fora, o céu veloz estava escuro, a sala estava escura, e a chuva, agora, não mais incomodada pelo vento, caía com um leve e contínuo sopro. A lâmpada iluminava apenas a superfície da mesa e uma das mãos de Lucas. A imagem de Mir, de repente surgindo no escuro, com ombros largos, retangular, parecia sinistra, artificialmente alta. Clement, também, como se compelido por alguma espécie de respeito, ou alarme, levantou-se. Mir voltou-se para ele por um momento, e Clement teve um vislumbre de sua cabeça, repentinamente como a cabeça de um grande animal, um javali, talvez, ou até um búfalo. Então, Mir, ao perceber que Clement também se levantava, sorriu, seus dentes brilhantes aparecendo, como se saíssem de pele escura. Em sequência, ele se sentou, de novo, e Clement, movendo discretamente a sua cadeira para a frente e um pouco para o lado, também se sentou.
Lucas estacou, como se esperasse que Mir fosse falar algo, e, então, disse, não no tom frio e sarcástico de antes, mas como se pensasse com mais cuidado, “certamente, diz-se, no seu livro, que a vingança pertence a Deus”.
Mir respondeu imediatamente, como se dissesse algo óbvio, “Eu sou o instrumento Dele”.