Mistura lingüística Muita gente, em vários países, fala um pouco de inglês todo dia sem perceber. Sem contar o “informatiquês”, cujos verbetes — como megabyte, browser, hard disk, software — são expressões do mais puro inglês, muitas outras palavras do dia-a-dia de brasileiros,4 franceses, alemães e, principalmente, japoneses têm origem no idioma bretão. Futebol (football), sanduíche (sandwich) e deletar (verbo criado a partir de to delete, suprimir) são exemplos conhecidos de anglicismo (uso de expressões em inglês ou originadas dele) no português. Os alemães apertam o resetknopf (reset button ou botão de reset) para iniciar o computador. E os franceses, conhecidos por sua ojeriza a estrangeirismos, despedem-se dos colegas de trabalho na sexta-feira dizendo bon weekend.1 A situação do japonês é particularmente curiosa. Estima-se que cerca de vinte mil palavras do vocabulário moderno tenham origem no inglês. Sorvete é aisukurimu, de ice cream. Ar condicionado é eacon, de air conditioner. E banheiro deixou de ser obenjyo para se tornar toiré, de toillet. A história dessa imposição lingüística certamente desperta animosidades. Na Índia, por exemplo, onde o inglês é uma das línguas oficiais, ele não é muito ouvido nas ruas. Falar inglês ainda lembra um passado de opressão.2 Galileu, fev./2, p. 3 (com adaptações). Julgue os itens a seguir, que se referem às idéias e às estruturas do texto acima.
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A seleção de argumentos e do vocabulário mostra o grau de engajamento do autor em face do assunto: paralelamente às funções referencial e metalingüística, que veiculam informações objetivas, há marcadores lingüísticos que deixam entrever elementos subjetivos.
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O autor organiza sintaticamente o período “Sem contar (…) bretão” (R.2-6) a partir da oposição regra/exceção, em que a regra é o “mais puro inglês”, e a exceção, o inglês impuro ou degenerado.
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De acordo com a norma padrão do português, é correta a substituição de “cujos verbetes” (R.2) por do qual os verbetes.
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Constata-se que a expressão inglesa “reset button” (R.1) está presente tanto no vocábulo alemão como na expressão portuguesa, com a substituição de um de seus componentes.
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O autor empregou “bon weekend” (R.1) como um exemplo elucidativo da idéia de que os franceses têm “ojeriza a estrangeirismos” (R.1).