CACD

LÍNGUA PORTUGUESA 2006
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Questão q11 de 2006

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Texto para as questões de 10 a 12.
Contos de vigário
Passam-se tempos sem que ouçamos falar em contos1
de vigário. Muito bem. Tornamo-nos otimistas, imaginamos
que, se a reportagem não menciona esses espantosos casos de
tolice combinada com safadeza, certamente os homens4
ficaram sabidos e melhoraram.
Pensamos assim e devemos estar em erro.
Provavelmente esse negócio continua a florescer, mas as7
vítimas têm vergonha de queixar-se e confessar que são
idiotas. Raras vezes um cidadão se resolve a afrontar o
ridículo, e vai à polícia declarar que, não obstante ser parvo,10
teve a intenção de embrulhar o seu semelhante.
O que ele faz depois de logrado é meter-se em casa,
arrancar os cabelos, evitar os espelhos e passar uns dias de13
cama, procedimento que todos nós adotamos quando, em
conseqüência de um disparate volumoso, nos sentimos
inferiores ao resto da humanidade. Convenientemente curado,16
cicatrizado, esquecida a fraqueza, o sujeito levanta-se e
adquire consistência para realizar nova tolice. E assim por
diante, até a hora da tolice máxima, em que ninguém reincide19
porque isto é impossível.
Graciliano Ramos. Linhas tortas: obra póstuma. 11.a ed.
Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1984. p. 154.

Considerando os sentidos do texto, julgue (C ou E) os seguintes
itens.

  1. O autor considera que existe má-fé no comportamento
    da vítima do conto-do-vigário.

  2. Depreende-se do texto que os contos-do-vigário não são
    abordados pela imprensa por serem assunto tabu.

  3. Na linha 10, a substituição de “não obstante” por além
    de não acarretaria alteração no sentido da frase.

  4. O vocábulo “procedimento” (R.14) resume, de forma
    irônica, a seqüência de ações descritas nas orações que
    o precedem no período.