Religião mestiça
Insulado deste modo no país, que o não conhece, em luta aberta com o meio, que lhe parece haver estampado na organização e no temperamento a sua rudeza extraordinária, nômade ou mal fixo à terra, o sertanejo não tem, por bem dizer, ainda capacidade orgânica para se afeiçoar a situação mais alta.
O círculo estreito da atividade remorou-lhe o aperfeiçoamento psíquico. Está na fase religiosa de um monoteísmo incompreendido, eivado de misticismo extravagante, em que se rebate o fetichismo do índio e do africano. É o homem primitivo, audacioso e forte, mas ao mesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar pelas superstições mais absurdas. Uma análise destas revelaria a fusão de estádios emocionais distintos.
Euclides da Cunha. O homem/Os sertões. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 197.
Julgue (C ou E) os itens a seguir, relativos a aspectos semânticos de termos presentes no texto.
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“Insulado” (R.1) integra o campo semântico de ilha.
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O prefixo extra-, nos vocábulos “extraordinária” (R.3) e “extravagante” (R.10), tem efeito de superlativo.
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Os termos “monoteísmo” (R.9), “misticismo” (R.9) e “fetichismo” (R.10) constituem exemplos do uso do sufixo -ismo, que se disseminou para designar movimentos sociais, ideológicos, políticos, opinativos, religiosos e personativos.
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Na forma verbal “revelaria” (R.14), a terminação -ria exprime idéia de hipótese ou possibilidade.