Texto para as questões de 6 a 9.
Como e por que sou escritor,
sem deixar de ser um tanto sociólogo
O que principalmente sou? Creio que escritor. Escritor1
literário. O sociólogo, o antropólogo, o historiador, o cientista
social, o possível pensador são em mim ancilares do escritor.
Se bom ou mau escritor é outro assunto.4
Como tentativa de oferecer, a esse respeito, um
depoimento ou uma confissão de possível interesse
sociológico, procurarei fixar aqui algumas das orientações que7
considero essenciais à afirmação de um escritor como
escritor, e que se baseiam até certo ponto na minha própria
experiência. Sobre elas, por outro lado, se apóia minha10
esperança de ser escritor, sem ser, exatamente, beletrista.
Ser escritor é desenvolver uma atividade que nada tem
de burocrática. É uma atividade mais de aventura que de13
rotina. A sociologia da atividade de escritor está ainda por
fazer. É uma sociologia difícil de ser traçada, tão diferente
tende a ser o escritor de outros homens, quer dos das16
chamadas profissões liberais, quer dos que vivem de ofícios
ou de artes. Ele é um pouco de tudo isso sem pertencer mais
especificamente a nenhum desses grupos profissionais. É19
inseguro. Sabe-se de companhias de seguros que têm
segurado por altas somas mãos de pianistas. Mas não, mãos
de escritor.22
Gilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo.
Brasília: EDUnB, 1968, p. 165 (com adaptações).
No terceiro parágrafo do texto, o autor afirma que a atividade de
escritor nada tem de burocrática; com isso, quer significar que ela
se distingue por ser
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A não-administrativa.
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B de natureza privada.
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C desprovida de regras sistemáticas.
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D pouco eficiente.
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E dotada de base sociológica.