Elabore dissertação com base na analogia entre as idéias expostas nos textos I, II e III.
Extensão: de 600 a 650 palavras
(valor: 60 pontos)
Elabore dissertação com base na analogia entre as idéias expostas nos textos I, II e III.
Extensão: de 600 a 650 palavras
(valor: 60 pontos)
O processo de formação da identidade cultural brasileira não aconteceu de forma rápida e uniforme. Ao longo de mais de cinco séculos, desde o descobrimento do Brasil, houve instalação de projetos específicos em cada fase da história nacional, determinando modelos culturais variados, que atendiam aos objetivos particulares dos colonizadores e, posteriormente, aos daqueles das classes dominantes. Com essa característica peculiar às colônias de exploração, a identidade nacional brasileira forjou-se lentamente, caracterizada, antes, pelo sentimento anti-lusitano e, muito tardiamente, por uma afirmação autônoma de brasilidade.
Enquanto a metrópole portuguesa empreendeu vultosa empresa mercantilista, orientada para o exclusivo colonial e para a transferência de riquezas da colônia para a Europa, as manifestações de unidade no povo brasileiro foram, deliberadamente, impedidas. Nessa época, a política dos colonizadores foi o controle de ameríndios e de escravos por meio da força e da religião, tentando articular o povo em consonância com o projeto colonial. É nesse momento da história pátria que as marcas da resistência se caracterizam pela luta contra lusitanos. A rebeldia dos indígenas contra a escravidão e a fuga dos escravos para os quilombos são exemplos de uma força identitária primordial, construída por meio da negação do outro.
A independência brasileira não provocou alterações significativas na estrutura sócio-econômica nacional e, conseqüentemente, na capacidade de o povo se afirmar, de forma autônoma, diante de si e de outras nações estrangeiras. Com o objetivo de consolidar o território e de manter a unidade física do país, o Império brasileiro acabou retardando o surgimento espontâneo de nacionalismo no Brasil, além de provocar receio, nas diversas repúblicas sul-americanas, por ser o único representante monárquico no continente. Mais uma vez, o Brasil se afirma, perante o ideal europeu, opondo-se aos vizinhos, oferecendo a ordem imperial contra o caudilhismo das ex-colônias espanholas.
Apesar de todos os constrangimentos para que genuína brasilidade surgisse de forma espontânea, podem-se observar, a partir do movimento literário romântico, da guerra contra o Paraguai e do lento mecanismo de troca do trabalho servil pelo assalariado, as bases do que, no Brasil, poder-se-ia chamar de construção da nacionalidade, em forma semelhante àquela que Eric Hobsbawn define como invenção das tradições. Como entre outros povos, a nação brasileira foi construída a partir do resgate do passado cultural comum e de projeto para o futuro, que tem sido perene até os dias atuais.
Esse movimento nacionalista, iniciado em meados do século XIX, aprofundou-se com a vitória dos republicanos, com a obra do Barão do Rio Branco, que procurou maior alinhamento dos ideais brasileiros aos do restante do continente americano, e com os artistas modernos de 1922, verdadeiros responsáveis pela gênese de literatura engajada a favor da autonomia nacional. A partir do momento em que o povo brasileiro alcança liberdade e confiança em seu futuro, encontrando, paulatinamente, o caminho do desenvolvimento nacional, torna-se mais fácil reinterpretar a história por meio de novos métodos, que vão substituindo conceitos tradicionais, comprometidos com pensamento conservador e preconceituoso.
Essa revisão historiográfica brasileira pode ser encontrada na obra de Sérgio Buarque de Holanda e de Darcy Ribeiro. Esses autores, trabalhando por meio de abordagens científicas, juntam-se a outros prosadores clássicos, como Machado de Assis, eficaz explorador crítico da psique humana, para ajudar a construir o nacionalismo brasileiro. A contribuição desses intelectuais serve para que o nacional do Brasil não se envergonhe nem de suas origens mamelucas nem da influência racial africana.
Ainda que, no início do século XXI, o Brasil apresente herança cultural que determina, para o bem ou para o mal, o destino do povo, pode-se afirmar que a nação brasileira está consolidada. Ao contrário de se apresentar como negação da cultura e da identidade estrangeira, a inserção internacional do país é feita por meio de um povo orgulhoso de si, que se afirma por diversos espaços do domínio cultural, econômico e científico. O lento mecanismo de afirmação identitária permitiu a passagem segura de um povo que se afirmava contra a identidade alheia, para uma nação livre, democrática, cidadã e soberana.
O processo de formação da identidade cultural brasileira não aconteceu de forma rápida e uniforme. Ao longo de mais de cinco séculos, desde o descobrimento do Brasil, houve instalação de projetos específicos em cada fase da história nacional, determinando modelos culturais variados, que atendiam aos objetivos particulares dos colonizadores e, posteriormente, aos daqueles das classes dominantes. Com essa característica peculiar às colônias de exploração, a identidade nacional brasileira forjou-se lentamente, caracterizada, antes, pelo sentimento anti-lusitano e, muito tardiamente, por uma afirmação autônoma de brasilidade.
Enquanto a metrópole portuguesa empreendeu vultosa empresa mercantilista, orientada para o exclusivo colonial e para a transferência de riquezas da colônia para a Europa, as manifestações de unidade no povo brasileiro foram, deliberadamente, impedidas. Nessa época, a política dos colonizadores foi o controle de ameríndios e de escravos por meio da força e da religião, tentando articular o povo em consonância com o projeto colonial. É nesse momento da história pátria que as marcas da resistência se caracterizam pela luta contra lusitanos. A rebeldia dos indígenas contra a escravidão e a fuga dos escravos para os quilombos são exemplos de uma força identitária primordial, construída por meio da negação do outro.
A independência brasileira não provocou alterações significativas na estrutura sócio-econômica nacional e, conseqüentemente, na capacidade de o povo se afirmar, de forma autônoma, diante de si e de outras nações estrangeiras. Com o objetivo de consolidar o território e de manter a unidade física do país, o Império brasileiro acabou retardando o surgimento espontâneo de nacionalismo no Brasil, além de provocar receio, nas diversas repúblicas sul-americanas, por ser o único representante monárquico no continente. Mais uma vez, o Brasil se afirma, perante o ideal europeu, opondo-se aos vizinhos, oferecendo a ordem imperial contra o caudilhismo das ex-colônias espanholas.
Apesar de todos os constrangimentos para que genuína brasilidade surgisse de forma espontânea, podem-se observar, a partir do movimento literário romântico, da guerra contra o Paraguai e do lento mecanismo de troca do trabalho servil pelo assalariado, as bases do que, no Brasil, poder-se-ia chamar de construção da nacionalidade, em forma semelhante àquela que Eric Hobsbawn define como invenção das tradições. Como entre outros povos, a nação brasileira foi construída a partir do resgate do passado cultural comum e de projeto para o futuro, que tem sido perene até os dias atuais.
Esse movimento nacionalista, iniciado em meados do século XIX, aprofundou-se com a vitória dos republicanos, com a obra do Barão do Rio Branco, que procurou maior alinhamento dos ideais brasileiros aos do restante do continente americano, e com os artistas modernos de 1922, verdadeiros responsáveis pela gênese de literatura engajada a favor da autonomia nacional. A partir do momento em que o povo brasileiro alcança liberdade e confiança em seu futuro, encontrando, paulatinamente, o caminho do desenvolvimento nacional, torna-se mais fácil reinterpretar a história por meio de novos métodos, que vão substituindo conceitos tradicionais, comprometidos com pensamento conservador e preconceituoso.
Essa revisão historiográfica brasileira pode ser encontrada na obra de Sérgio Buarque de Holanda e de Darcy Ribeiro. Esses autores, trabalhando por meio de abordagens científicas, juntam-se a outros prosadores clássicos, como Machado de Assis, eficaz explorador crítico da psique humana, para ajudar a construir o nacionalismo brasileiro. A contribuição desses intelectuais serve para que o nacional do Brasil não se envergonhe nem de suas origens mamelucas nem da influência racial africana.
Ainda que, no início do século XXI, o Brasil apresente herança cultural que determina, para o bem ou para o mal, o destino do povo, pode-se afirmar que a nação brasileira está consolidada. Ao contrário de se apresentar como negação da cultura e da identidade estrangeira, a inserção internacional do país é feita por meio de um povo orgulhoso de si, que se afirma por diversos espaços do domínio cultural, econômico e científico. O lento mecanismo de afirmação identitária permitiu a passagem segura de um povo que se afirmava contra a identidade alheia, para uma nação livre, democrática, cidadã e soberana.