Frente à tradição hindu que há 2.500 anos divide a1
sociedade indiana em mais de 2.000 castas, os 60 anos dos
ideais liberais de Gandhi e os 10 anos da legalização do
casamento entre castas revelam-se impotentes para4
transformar a organização hierárquica da sociedade. Em
confronto direto com o costume milenar, o governo da Índia
oferece uma recompensa de R$ 2.400 para homens e mulheres7
de diferentes grupos sociais que formalizem sua união.
O dinheiro equivale ao dobro da renda per capita
anual do país. O governo justifica que a medida é um passo10
para a reacomodação das desigualdades. Para grande parte da
sociedade, é um passo no escuro.
O governo — que já enfrenta protesto contra cotas em13
universidades — vê-se, agora, diante de um desafio maior.
O esquema está sob ataque de todos os lados. Os
conservadores alegam que a medida é gatilho para o caos16
social. Os liberais sustentam que poucos vão receber a oferta
porque o dinheiro vai desaparecer no bolso de autoridades
corruptas.19
Indianos de castas mais baixas dizem que rejeitariam
a recompensa, pois perderiam o acesso preferencial às
universidades, garantido pelas já controversas cotas. Hoje, o22
governo oferece 22,5% das vagas aos intocáveis, os últimos
na hierarquia hindu, mas pretende aumentá-las para 50%.
“Sei que esta não é a única maneira de pôr um fim à25
discriminação, mas é preciso começar de algum lugar”,
defende a ministra da Justiça Social. Para a socióloga Radhika
Chopra, a oferta é uma forma de sinalizar que esses28
casamentos não devem ser condenados. “Com a medida, o
governo apóia os indivíduos que transgrediram barreiras
sociais e mostra que podem funcionar como exemplos”,31
acrescenta a socióloga.
Jornal do Brasil, 17/12/2006 (com adaptações).
No que se refere a funções da linguagem, predomina, no texto, a função
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A fática, visto que o autor do texto busca, de forma sutil, convencer os leitores dos benefícios do projeto que visa incentivar o casamento entre pessoas pertencentes a castas diferentes.
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B referencial, dado que a ênfase recai nas informações a respeito de determinado assunto.
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C emotiva, dado que são as falas das autoridades entrevistadas que direcionam a forma como as informações são apresentadas.
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D conativa, visto que as opiniões expressas estão devidamente referenciadas, não havendo, portanto, perda de objetividade na transmissão das informações.
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E metalingüística, haja vista o foco em aspectos intertextuais, como demonstram as diversas vozes que acompanham a informação divulgada.