A diferença na linguagem
“Para os gramáticos, a arte da palavra quase se esgota na1
arte da escrita, o que se vê ainda pelo uso que fazem dos
acentos, muitos dos quais fazem alguma distinção ou evitam
algum equívoco para os olhos mas não para os ouvidos.”4
Neste texto Rousseau nos sugere que, para ler bem, é preciso
prestar ouvidos à voz original, adivinhar as diferenças de
acento que a articulam e que se tornaram imperceptíveis no7
espaço homogêneo da escrita. Na leitura, o olho treinado do
Gramático ou do Lógico deve subordinar-se a um ouvido
atento à melodia que dá vida aos signos: estar surdo à10
modulação da voz significa estar cego às modalidades do
sentido. Na oposição que o texto faz entre a arte de falar e a
arte de escrever, podemos encontrar não apenas as razões da13
desqualificação da concepção gramatical da linguagem, mas
também a indicação do estatuto que Rousseau confere à
linguagem. O que é importante notar aqui é que a oposição16
entre falar e escrever não se funda mais na oposição entre
presença e ausência: não é a ausência do sujeito falante que
desqualifica a escrita, mas a atonia ou a homogeneidade dos19
signos visuais. Se a essência da linguagem escapa à
Gramática, é porque esta desdobra a linguagem num elemento
essencialmente homogêneo.22
Bento Prado Jr. A retórica de Rousseau. São Paulo: Cosac Naify, 2008, p. 129-130.
Com relação às ideias e aos aspectos gramaticais do texto, assinale a opção correta.
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A O uso recorrente de vocábulos pertencentes aos campos semânticos da visão e da audição prejudica a coerência e a coesão do texto.
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B Em suas duas ocorrências, a forma verbal “fazem” (R.2 e R.3) concorda com sujeitos distintos.
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C Os operadores “não apenas” (R.13) e “mas também” (R.14- 15) possibilitam ao autor a apresentação de dois argumentos mutuamente excludentes.
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D Na linha 16, a expressão “é que” é expletiva.
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E É a mesma a justificativa para o uso de inicial maiúscula em “Gramático” (R.9) e em Gramática (R.21).