CACD

LÍNGUA PORTUGUESA 2010
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Questão q7 de 2010

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Pernambucano em Málaga
A cana doce de Málaga1
dá domada, em cão ou gata:
deixam-na perto, sem medo,
quase vai dentro das casas.4
É cana que nunca morde,
nem quando vê-se atacada:
não leva pulgas no pelo7
nem, entre folhas, navalha.
A cana doce de Málaga
dá escorrida e cabisbaixa:10
naquele porte enfezado
de crianças abandonadas.
As folhas dela já nascem13
murchas de cor, como a palha:
ou a farda murcha dos órfãos,
desde novas, desbotadas.16
A cana doce de Málaga
não é mar, embora em praias,
dá sempre em pequenas poças, 19
restos de uma onda recuada.
Em poças, não tem do mar
a pulsação dele, nata:22
sim, o torpor surdo e lasso
que se vê na água estagnada.
A cana doce de Málaga25
dá dócil, disciplinada:
dá em fundos de quintal
e podia dar em jarras.28
Falta-lhe é a força da nossa,
criada solta em ruas, praças:
solta, à vontade do corpo,31
nas praças das grandes várzeas.
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra e outros
poemas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, p. 149-50.

Com relação ao poema apresentado, julgue C ou E.

  1. No segundo verso do poema, a expressão “em cão ou gata” equivale semanticamente a como cão ou gata.

  2. A forma “dá” é empregada no poema ora como verbo intransitivo, nos versos 19 e 27, por exemplo, ora como transitivo, nos versos 2 e 26.

  3. O verso “naquele porte enfezado” (v.11) acrescenta circunstância de lugar ao fato expresso na terceira estrofe.

  4. Na última estrofe, a forma verbal “é” foi empregada como palavra de realce.