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Padrão de Resposta
A discussão acerca da temática racial foi, até o início do século XX, caracterizada pelo preconceito. O determinismo de Taine, historiador francês, foi assimilado por seguidores de ideias que defendiam a existência de condicionamentos sociais impostos pelo meio ambiente, pelo momento histórico e pela raça. Autores brasileiros, como Oliveira Vianna e Nina Rodrigues, compartilharam a tese da superioridade da raça branca, o que seria, posteriormente, criticado por outros pensadores. Joaquim Nabuco, em O Abolicionismo, rejeitou as teorias deterministas, reconheceu a importância da raça negra para a formação do Brasil e criticou o legado nefasto da escravidão. Na década de 1930, destacaram-se concepções teóricas que valorizaram a cultura negra no Brasil, como a perspectiva de Gilberto Freyre, em Casa-Grande & Senzala. Os hábitos, as crenças e os comportamentos dos negros foram assimilados pelos colonizadores na América portuguesa, segundo Freyre, por meio do contato entre brancos e escravos domésticos, em uma sociedade caracterizada pelo equilíbrio de antagonismos.
A miscigenação racial propiciou a constituição de uma cultura heterogênea no Brasil, mas a inexistência de políticas governamentais efetivas, para combater as consequências negativas da escravidão, implicou, após a Lei Áurea, um processo de marginalização social dos ex-escravos. Hodiernamente, diversas práticas, como os programas de ação afirmativa e as leis que consideram o preconceito de raça crime, visam a combater os efeitos da falta de ação de governos anteriores. A assimilação da perspectiva que condena o preconceito racial pela população é a principal mudança que deve ocorrer, para resolver o problema da discriminação no Brasil. Além das iniciativas governamentais, é necessário transformar a mentalidade de parcela da sociedade brasileira.