CACD

LÍNGUA PORTUGUESA 2011
Modo de Visualização Pública: Você receberá feedback instantâneo, mas suas respostas não serão salvas. Faça login para salvar seu progresso.
Questão q5 de 2011

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Poucos depoimentos eu tenho lido mais emocionantes1
que o artigo-reportagem de Oscar Niemeyer sobre sua
experiência em Brasília. Para quem conhece apenas o arquiteto,
o artigo poderá passar por uma defesa em causa própria — o4
revide normal de um pai que sai de sua mansidão costumeira
para ir brigar por um filho em quem querem bater. Mas, para
quem conhece o homem, o artigo assume proporções7
dramáticas. Pois Oscar é não só o avesso do causídico, como
um dos seres mais antiautopromocionais que já conheci em
minha vida.10
Sua modéstia não é, como de comum, uma forma
infame de vaidade. Ela não tem nada a ver com o conhecimento
realista — que Oscar tem — de seu valor profissional e de suas13
possibilidades. É a modéstia dos criadores verdadeiramente
integrados com a vida, dos que sabem que não há tempo a
perder, é preciso construir a beleza e a felicidade no mundo,16
por isso mesmo que, no indivíduo, é tudo tão frágil e precário.
Oscar não acredita em Papai do Céu, nem que estará
um dia construindo brasílias angélicas nas verdes pastagens do19
Paraíso. Põe ele, como um verdadeiro homem, a felicidade do
seu semelhante no aproveitamento das pastagens verdes da
Terra; no exemplo do trabalho para o bem comum e na criação22
de condições urbanas e rurais, em estreita intercorrência, que
estimulem e desenvolvam este nobre fim: fazer o homem feliz
dentro do curto prazo que lhe foi dado para viver.25
Eu acredito também nisso, e quando vejo aquilo em
que creio refletido num depoimento como o de Oscar
Niemeyer, velho e querido amigo, como não me emocionar?28
Vinicius de Moraes. Para viver um grande amor.
Rio de Janeiro: J. Olympio, 1982, p. 134-5 (com adaptações).

Com relação às ideias desenvolvidas no texto, assinale a opção correta.

  1. A Vinicius de Moraes, na condição de causídico de Oscar Niemeyer, alerta para a injusta ausência de reconhecimento da capacidade de luta do arquiteto para a implementação de projetos que visem ao bem comum, dos quais a construção de Brasília é exemplo.

  2. B Infere-se do texto que Oscar Niemeyer, em razão das severas críticas a seu trabalho arquitetônico realizado em Brasília, contrariou sua “mansidão costumeira” e escreveu um artigo em que faz a apologia da obra criada nessa cidade.

  3. C Vinicius de Moraes atribui a emoção nele despertada pela leitura do mencionado artigo-reportagem não só à forma dramática de relato dos fatos, mas, principalmente, à afinidade entre ele e Niemeyer no que concerne a crenças sobre a vida e a morte, parte delas referidas no depoimento do amigo Oscar.

  4. D Por ser um indivíduo consciente de sua fragilidade e da precariedade de ser mortal, Oscar Niemeyer, segundo afirma Vinicius de Moraes, manifesta modéstia incomum, desprovida de hipocrisia.

  5. E Vinicius de Moraes ressalta a conduta de Niemeyer, que, fundamentada em concepção materialista e visão social de seu trabalho, está pautada na busca de condições sociais benéficas para os cidadãos.