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LÍNGUA PORTUGUESA 2011
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Questão q8 de 2011

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Texto I
Não é o ângulo reto que me atrai1
nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual, 4
a curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,7
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo
o universo curvo de Einstein.10
Oscar Niemeyer. Minha arquitetura – 1937-2005.
Rio de Janeiro: Editora Revan, 2005, p. 339.

Texto Auxiliar 2

Texto II
Autodefinição
Na folha branca do papel faço o meu risco.1
Retas e curvas entrelaçadas,
E prossigo atento e tudo arrisco
Na procura das formas desejadas.4
São templos e palácios soltos pelo ar.
Pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar,7
Encontrará, em todos, os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.10
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,13
A vida feliz, a pátria mais amada.
Idem, p. 347.

Com referência às estruturas linguísticas e aos sentidos dos textos I e II, assinale a opção correta.

  1. A No texto II, os adjetivos “branca” (v.1) e “atento” (v.3) exercem a mesma função sintática que os adjetivos “superada”, “feliz” e “amada”, empregados na última estrofe.

  2. B No primeiro verso do texto I, o pronome “que” retoma a expressão “o ângulo reto” e introduz oração adjetiva que restringe o sentido dessa expressão.

  3. C Com base no emprego dos sinais de pontuação no texto I, depreende-se que, para o autor do poema, toda linha reta criada pelo homem é dura e inflexível, e nem toda curva é livre e sensual.

  4. D No texto I, o arquiteto esclarece que as curvas estão presentes em qualquer universo, inclusive no universo abstrato da ciência, conforme formulação de Einstein.

  5. E No poema Autodefinição, o arquiteto expressa sua recusa em detalhar elementos relevantes para a interpretação de sua obra, como evidencia o trecho “o que você quiser” (v.6), e confidencia que a revolta diante da miséria fez que ele abandonasse o devaneio, a utopia.