CACD

LÍNGUA PORTUGUESA 2012
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Questão q7 de 2012

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

(…) na questão de se o mundo é mais digno de riso ou1
de pranto, e se à vista do mesmo mundo tem mais razão quem
ri, como ria Demócrito, ou quem chora, como chorava
Heráclito, eu, para defender, como sou obrigado, a parte do4
pranto, confessarei uma coisa e direi outra. Confesso que a
primeira propriedade do racional é o risível: e digo que a maior
impropriedade da razão é o riso. O riso é o final do racional, o7
pranto é o uso da razão. (…)
Mas se Demócrito era um homem tão grande entre os
homens e um filósofo tão sábio, e se não só via este mundo,10
mas tantos mundos, como ria? Poderá dizer-se que ele ria não
deste nosso mundo, mas daqueles seus mundos.
E com razão, porque a matéria de que eram13
compostos os seus mundos imaginados, toda era de riso. É
certo, porém, que ele ria neste mundo e que se ria deste mundo.
Como, pois, se ria ou podia rir-se Demócrito do mesmo mundo16
ou das mesmas coisas que via e chorava Heráclito? A mim,
senhores, mo parece que Demócrito não ria, mas que
Demócrito e Heráclito ambos choravam, cada um ao seu modo.19
Que Demócrito não risse, eu o provo. Demócrito ria
sempre: logo não ria. A consequência parece difícil e evidente.
O riso, como dizem todos os filósofos, nasce da novidade e da22
admiração, e cessando a novidade ou a admiração, cessa
também o riso; o como Demócrito se ria dos ordinários
desconcertos do mundo, o que é ordinário e se vê sempre, não25
pode causar admiração nem novidade; segue-se que nunca ria,
rindo sempre, pois não havia matéria que motivasse o riso.
Padre Antônio Vieira. Sermão da sexagésima. In: J. Verdasca (Org. e coord.).
Sermões escolhidos. São Paulo: Martin Claret, 2006, p. 190-2.

Considerando a estrutura textual, a consistência argumentativa e as estruturas linguísticas do texto, julgue (C ou E) os itens que se seguem.

  1. Com o propósito explícito de tratar da “questão de se o mundo é mais digno de riso ou de pranto” (R.1-2), o autor argumenta em favor da conclusão de que o mundo, devido aos seus “ordinários desconcertos” (R.24-25), é mais digno de riso.

  2. No período “Que Demócrito não risse, eu o provo” (R.20), o verbo provar complementa-se com uma estrutura em forma de objeto direto pleonástico, com uma oração servindo de referente para um pronome.

  3. O verbo rir, empregado com regências diferentes no trecho “É certo, porém, que ele ria neste mundo e que se ria deste mundo” (R.14-15), tem, em ambas as ocorrências, o sentido de tratar ou considerar (alguém ou algo) com desdém; ridicularizar; zombar.

    Anulado. Houve erro material na ordenação desse item…

  4. No período “Demócrito ria sempre: logo não ria.” (R.20-21), a “consequência” (R.21), à primeira vista ilógica, sustenta-se no emprego do advérbio “sempre”, o que se constata pelas explicações que se seguem no mesmo parágrafo.

    Anulado. Houve erro material na ordenação desse item…