CACD

LÍNGUA PORTUGUESA 2013
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Questão q11 de 2013

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Cobra Norato
XXVIII
A floresta se avoluma1
Movem-se espantalhos monstros
riscando sombras estranhas pelo chão
Árvores encapuzadas soltam fantasmas 4
com visagens do lá se vai
O luar amacia o mato sonolento
Lá adiante 7
o silêncio vai marchando com uma banda de música
Floresta ventríloqua brinca de cidade
Movem-se arbustos cúbicos10
sob arcadas de samaúma
Palmeiras aneladas se abanam
Jaburus de monóculo namoram estrelas míopes13
João Cutuca belisca árvores
Passa lá embaixo a escolta do Rei de Copas
Chegam de longe ruídos anônimos16
O mato se acorda
Cipós fazem intrigas no alto dos galhos
Desatam-se em gargalhadinhas19
Uma árvore telegrafou para outra:
psi psi psi
Desembarcam vozes de contrabando22
Sapos soletram as leis da floresta
Lá em cima
um curió toca flauta25
Estira-se o rio
O mato é um acompanhamento
Desfiam-se as distâncias28
entre manchas de neblina
― Lá vai indo um navio, compadre!
Jaquirana-boia apita31
Uma árvore abana adeus do alto de um galho
XXIX
― Escuta, compadre
O que se vê não é navio É a Cobra Grande34
― Mas o casco de prata? As velas embojadas de vento?
Aquilo é a Cobra Grande
Quando começa a lua cheia ela aparece37
Vem buscar moça que ainda não conheceu homem
A visagem vai se sumindo
pras bandas de Macapá40
Neste silêncio de águas assustadas
parece que ainda ouço um soluço quebrando-se na noite
― Coitadinha da moça43
Como será o nome dela?
Se eu pudesse ia assistir o casamento
― Casamento de Cobra Grande chama desgraça, compadre46
Só se a gente arranjar mandinga de defunto
Ué! Então vamos
Lobisomem está de festa no cemitério49
Raul Bopp. Cobra Norato. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 44-9.

A respeito das relações semântico-sintáticas no poema Cobra Norato, de Raul Bopp, julgue (C ou E) os itens subsequentes.

  1. Entre as expressões que compõem o campo semântico associado a floresta assombrada, imagem a que remete a leitura do fragmento apresentado, incluem-se: “espantalhos monstros” (v.2), “sombras estranhas” (v.3), “Árvores encapuzadas” (v.4), “fantasmas” (v.4), “visagens do lá se vai” (v.5), “Floresta ventríloqua” (v.9), “ruídos anônimos” (v.16).

  2. No verso “Vem buscar moça que ainda não conheceu homem” (v.38), o atributo do núcleo nominal “moça” é expresso por estrutura oracional que corresponde a uma perífrase.

  3. No diálogo expresso nos versos de 43 a 46, entre as marcas da linguagem coloquial, inclui-se a regência do verbo chamar como verbo não pronominal, o que resulta em acepção diferente da que seria coerente com os sentidos produzidos.

  4. A liberdade do poeta no emprego dos sinais de pontuação é evidenciada, por exemplo, no trecho entre os versos 46 e 49, em que não é marcada a mudança de interlocutor no diálogo apresentado.