Conta Darcy Ribeiro (1996) que, entre os índios1
Urubu-Kaapor, a Cobra Grande engolia muita gente e precisou
ser morta. “Antes de morrer, teve um sobressalto. Se levantou,
subiu e foi bater no céu. Ficou lá a sombra dela. É a Via4
Láctea, que até hoje a gente vê. Depois, caiu lá de cima, com
grande barulho. Veio bater no chão, acabou com a mata toda
naquele lugar; só deixou um buraco. Agora é o mar Paraná-7
Ramiú.” Darcy, com o jeito que lhe era característico, exclama:
“Não é uma beleza? Aqui, o sangue de uma Cobra gigantesca
deu origem à Via Láctea e ao Avô-Mar!”10
Lux Vidal. A Cobra Grande: uma introdução à cosmologia dos povos
indígenas do Uaçá e Baixo Oiapoque – Amapá. Rio de Janeiro: Museu do
Índio, 2009, p. 28-30 (com adaptações). , p. 35 (com adaptações).
Julgue (C ou E) os itens seguintes, relativos a aspectos gramaticais do texto acima.
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Sem alteração de informação, o primeiro período do texto poderia ser reescrito da seguinte forma: Entre os índios Urubu-Kaapor, contou, em 1996, Darcy Ribeiro que a cobra-grande, porque engolia muita gente, morreu.
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A referência do sujeito elíptico da oração ‘É a Via Láctea’ (R.4-5) é a expressão ‘a sombra dela’ (R.4), que funciona como sujeito da oração ‘Ficou lá a sombra dela’ (R.4).
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Sem que se contrariasse a informação original do texto, o pronome ‘toda’ na expressão ‘com a mata toda’ (R.6) poderia estar anteposto ao substantivo de duas formas: com toda a mata; com toda mata.
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A oração ‘Não é uma beleza?’ expressa uma pergunta retórica que corresponde à frase exclamativa É uma beleza!, sendo o advérbio de negação empregado como termo de realce na sentença interrogativa.