O achatamento do mundo tem a ver com a criação de uma plataforma global para múltiplas formas decompartilhar trabalho, conhecimento e divertimento. Preocupar-se com os efeitos pulverizadores da globalizaçãoé legítimo e, de fato, muito importante, mas ignorar sua capacidade de também dar poder e enriquecer nossacultura é ignorar seus efeitos potencialmente positivos sobre a liberdade e a diversidade humanas. Minha afirmaçãoaqui não é a de que o achatamento do mundo vai sempre enriquecer e preservar a cultura. É a de que nem sempreela destrói a cultura, ao contrário da mensagem que se ouve dos críticos da globalização.
Thomas Friedman. In: O mundo é plano: uma breve história do século XXI. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007 (com adaptações).
Mas adiante você fala em “apertado dilema: nacionalismo ou universalismo. O nacionalismo convém àsmassas, o universalismo convém às elites”. Tudo errado. Primeiro: não existe essa oposição. O que há é maunacionalismo: o Brasil pros brasileiros — ou regionalismo exótico. Nacionalismo quer simplesmente dizer: sernacional. O que mais simplesmente ainda significa: Ser. Ninguém que seja verdadeiramente, isto é, viva, serelacione com seu passado, com suas necessidades imediatas práticas e espirituais, se relacione com o meio e coma terra, com a família etc., ninguém que seja verdadeiramente, deixará de ser nacional.
(…)E agora reflita bem no que eu cantei no final do “Noturno” e você compreenderá a grandeza desse
nacionalismo universalista que eu prego. De que maneira nós podemos concorrer pra grandeza da humanidade?É sendo franceses ou alemães? Não, porque isto já está na civilização. O nosso contingente tem de ser brasileiro.O dia em que formos inteiramente brasileiros e só brasileiros a humanidade estará rica de mais uma raça, ricaduma nova combinação de qualidades humanas. As raças são acordes musicais. Um é elegante, discreto, cético.Outro é lírico, sentimental, místico e desordenado. Outro é áspero, sensual, cheio de lembranças. Outro é tímido,humorista e hipócrita. Quando realizarmos o nosso acorde, então seremos usados na harmonia da civilização. Nóssó seremos civilizados em relação às civilizações o dia em que criarmos o ideal, a orientação brasileira. Entãopassaremos da fase do mimetismo pra fase da criação. Então seremos universais, porque nacionais.
Mário de Andrade. Carta a Carlos Drummond de Andrade, 1924.
Tendo em vista a discussão a respeito das identidades na sociedade globalizada contemporânea, disserte, com base nos textos apresentados,acerca da tensão entre o nacional e o universal.
Admissão à Carreira de Diplomata (Terceiro Secretário) Prova Escrita de Português – 2 –