CACD

LÍNGUA PORTUGUESA 2013
Modo de Visualização Pública: Você receberá feedback instantâneo, mas suas respostas não serão salvas. Faça login para salvar seu progresso.
Questão q6 de 2013

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

Texto I
A civilização deu uma importância extraordinária à1
escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só
pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista,
porém, que lhe há ao lado, mais antiga, mais básica, uma4
expressão oral.
A rigor, a linguagem escrita não passa de um
sucedâneo, de um ersatz da fala. Esta é que abrange a7
comunicação linguística em sua totalidade, pressupondo, além
da significação dos vocábulos e das frases, a entoação, os
elementos subsidiários da mímica, incluindo-se aí o jogo10
fisionômico. Por isso, para bem se compreender a natureza e
o funcionamento da linguagem humana, é preciso partir da
apreciação da linguagem oral e examinar, em seguida, a escrita13
como uma espécie de linguagem mutilada, cuja eficiência
depende da maneira por que conseguimos obviar à falta
inevitável de determinados elementos expressivos.16
Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral
e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

Texto Auxiliar 2

Texto II
A palavra falada é imediata, local e geral. Quando1
falamos, falamos para ser ouvidos imediatamente, com quem
está ali ao pé de nós, e de modo a que sejamos facilmente
entendidos dele, que sabemos quem é, ou calculamos que4
sabemos, e que pode ser toda a gente, devendo nós pois falar
como se fosse qualquer. A palavra escrita é mediata, longínqua
e particular. Quando escrevemos, dirigimo-nos a quem não nos7
vai ouvir, que é ler, logo; a quem não está ao pé de nós; a quem
poderá entender-nos e não a quem tem que entender-nos, tendo
nós pois primeiro que o entender a ele.10
Em resumo, a palavra falada é um fenômeno social,
a escrita um fenômeno cultural; a palavra falada um fenômeno
democrático, a escrita um aristocrático. São diferentes em13
substância: são pois forçosamente diferentes os seus
respectivos meios e fins. (…)
Na palavra falada, temos que ser, em absoluto, do16
nosso tempo e lugar; não podemos falar como Vieira, pois nos
arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão. Não podemos
pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio.19
A palavra escrita, ao contrário, não é para quem a
ouve, busca quem a ouça; escolhe quem a entenda, e não se
subordina a quem a escolhe.22
Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São
Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.

No que se refere a aspectos linguísticos dos textos I e II, assinale a opção correta.

  1. A No texto I, no segmento “lhe há ao lado” (R.4), o pronome “lhe” tem valor possessivo e seu antecedente é o núcleo nominal “linguagem” (R.2).

  2. B No trecho “os elementos subsidiários da mímica”, (texto I, R.9-10), o termo “da mímica” exerce função de complemento do substantivo “subsidiários”.

  3. C No trecho “a que sejamos facilmente entendidos dele” (texto II, R.3-4), o elemento “dele” expressa o agente da ação expressa pela forma verbal “entendidos” e equivale a por ele.

  4. D No texto II, a conjunção “pois”, em suas cinco ocorrências (R.5, 10, 14, 17 e 19), denota conclusão, razão por que poderia ser corretamente isolada por vírgulas em todas as cinco ocorrências.

  5. E A oração “que pode ser toda a gente” (texto II, R.5) exerce, no período em que ocorre, a função de complemento da forma verbal “calculamos” (R.4), juntamente com a oração “que sabemos” (R.4-5).