A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina1
uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o
brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e
poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um4
cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a
crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo7
assim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir de
caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas
para a literatura. Por meio dos assuntos, da composição solta,10
do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se
ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente porque
elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser13
mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta
humanização lhe permite, como compensação sorrateira,
recuperar com a outra mão certa profundidade de significado16
e certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela
uma inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo:
Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adaptações).
Ainda em relação ao texto, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
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As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “servir” (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indiretos.
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No trecho “Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural” (R.12-14), o autor indica que a crônica e a linguagem falada é a que consegue a mais perfeita comunicação literária.
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No trecho “certa profundidade de significado e certo acabamento de forma” (R.16-17), o adjetivo “certo” e sua forma flexionada no feminino foram utilizados com o sentido exato, preciso, correto.
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Há elementos no texto que permitem deduzir que, segundo o autor, a crônica será um gênero maior quando o Prêmio Nobel for concedido a um cronista.