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LÍNGUA PORTUGUESA 2014
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Questão q8 de 2014

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

José Lins do Rego, em ensaio admirável dedicado a1
Fialho de Almeida, põe talvez exagerada ênfase na condição de
“telúrico” de Fialho, como virtude acima de qualquer outra
num escritor. Tanto que nos dá a impressão de que, em4
literatura, só os telúricos se salvam. O que me parece
generalização muito próxima da verdade; mas não a verdade absoluta.
Nem Eça nem Ramalho foram rigorosamente telúricos7
e, entretanto, sua vitalidade nas letras portuguesas é das que
repelem, meio século depois de mortos os dois grandes críticos,
qualquer unguento ou óleo de complacência com que hoje se10
pretenda adoçar a revisão do seu valor social, os dois tendo
atuado como revolucionários ou, antes, renovadores não só das
convenções estéticas da língua e da literatura, como das13
convenções sociais do povo e da nação que criticaram
duramente para, afinal, terminarem cheios de ternura patriótica
e até mística pela tradição portuguesa. Um, revoltado contra o16
“francesismo”, ou “cosmopolitismo”, que o afastara dos
clássicos, da cozinha dos antigos, da vida e do ar das serras; o
outro, enjoado do “republicanismo”, que também o separara de19
tantos valores básicos da vida portuguesa, fazendo-o exigir da
Monarquia e da Igreja, em Portugal, atitudes violentamente
contrárias às condições de um povo apenas tocado pela22
Revolução Industrial e pela civilização carbonífera do norte da
Europa.
Gilberto Freyre. Eça, Ramalho como renovadores da literatura em língua portuguesa. In:
Alhos & Bugalhos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978, p. 15 (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue (C ou E) os itens seguintes.

  1. Fialho de Almeida e Ramalho Ortigão são os “dois grandes críticos” (R.9) que não demonstraram nem complacência nem conservadorismo em relação à necessidade de recuperar aspectos da língua e da literatura de Portugal.

  2. O autor do texto manifesta incondicional apoio à tese de José Lins do Rego sobre Fialho de Almeida, como evidencia a expressão “em ensaio admirável” (R.1).

  3. Depreende-se do texto que Eça de Queirós reagiu radicalmente contra o francesismo, Ramalho Ortigão estava farto do republicanismo (R.16-19) e nenhum dos dois, na opinião de Gilberto Freyre, demonstrou ser inflexivelmente telúrico.

  4. Para o autor, Portugal não participara integralmente dos resultados trazidos pela Revolução Industrial e pela “civilização carbonífera” (R.23), ou seja, civilização fundamentada na violência das lutas operárias.