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Marlene de Castro Correia argumenta que, na literatura oral e de cordel, a manifestação cultural, em contexto de consolidada tradição expressiva, não impede criações estéticas e materiais inovadoras. Não haveria, segundo a autora, antagonismo absoluto entre o dinamismo da inovação e a suposta inércia dos aspectos tradicionais da cultura. Os cânones criam tensões para a manutenção da conformidade e, por isso, segundo Silviano Santiago, na obra O entre-lugar do discurso latino-americano, devem ser desafiados por manifestações originais.
O embate entre a tradição e a inovação não é único da literatura de cordel, porquanto o surgimento de variada gama de escolas literárias e metodologias expressivas também é influenciado por essa aparente contradição entre o canônico e a ruptura. Ambos são mutuamente dependentes, uma vez que a inovação é viabilizada pela referência estática e a tradição é reafirmada pela sua ruptura.