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Padrão de Resposta
Edward Said, em Cultura e imperialismo, afirma que as culturas e as nacionalidades formadas sob dominação estrangeira apresentam dificuldades no desenvolvimento de linguagem própria. No Brasil, por exemplo, o desejo de criar nacionalidade original, sem influência estrangeira, é uma constante perceptível desde o Romantismo. A expressão da nacionalidade pareceu, no entanto, ser restringida pela existência de cânones estrangeiros, os quais, paradoxalmente, se tornaram referências de validade da cultura autóctone.
A revolução culturalista promovida pelo Modernismo transformou a maneira de entender a nacionalidade e a influência estrangeira. O hibridismo não era o que impedia o acesso do Brasil à modernidade, mas o que viabilizava uma inserção diferenciada no mundo. A integração de diferentes culturas ocorreria de forma antropofágica, como qualificado por Mário de Andrade, o que conferiria expressão singular da nacionalidade. Esse processo, permanente e dinâmico, relativiza o antagonismo entre o nacional e o estrangeiro.