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LÍNGUA PORTUGUESA 2018
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Questão [Língua Portuguesa – 2018]REDAÇÃO

Vi numerosos documentos diplomáticos relativos a esse período da história de meu país, período quesempre me interessou especialmente e que felizmente é fecundo em documentos. O telégrafo ainda nãoexistia. Os jornais não eram tão admiravelmente informados quanto hoje, quando eles se acham emcondições de se informar nas próprias chancelarias. Os diplomatas eram pois forçados a escrever volumososrelatos, que nada perderam de seu interesse, pois que neles se encontram coisas que não se encontrariamalhures. É esse último traço de escrevinhadores, digamos antes de escritores, a fim de não amarrotar-lhesa memória, que distingue principalmente os agentes políticos de outrora dos seus confrades atuais, aos quaisa vida intensa e perfeitamente aparelhada tem feito perder esse honesto costume.

Oliveira Lima. Formação histórica da nacionalidadebrasileira. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997, p. 192.

No trecho apresentado, retirado de conferências que proferiu na Sorbonne, em 1911, Oliveira Lima trata da documentaçãoproduzida entre 1823 e 1825 pelo serviço diplomático de um Brasil recém-independente de Portugal e ocupado, primordialmente,pela questão do reconhecimento, por outros países, dessa nova condição de Estado soberano. Considerando essas informaçõese o trecho em questão, discorra sobre o papel do diplomata como produtor de informação confiável e privilegiada em uma realidadeem que as notícias se difundem — seja pelos meios de comunicação, seja pelas chamadas redes sociais — de forma cada vez maisimediata e abrangente.