A facilidade de comunicações acabou com esses1
tanques em que floresciam as diferentes culturas. Quando antes
se olhava o mapa-múndi e via-se cada país de um colorido
diferente, podia-se tomar isso ao pé da letra. É verdade que o4
mundo continuou a ser uma colcha de retalhos; mas são todos
da mesma cor. Bombaim, Roma, Tóquio, que se escondiam,
cada um com seu peculiar mistério, nos compartimentos7
estanques da sua própria civilização, agora, a julgar pelos
filmes, estão perfeitamente padronizados, universalizados.
E, no mundo de hoje, para desconsolo dos10
descendentes de Sindbad e de Marco Polo, a única cor local
das cidades famosas são os turistas.
Mário Quintana. Mapa-múndi. In: Prosa&Verso. Porto Alegre: Globo, 1978, p. 60.
Com relação aos aspectos linguísticos do texto X, julgue (C ou E) os itens a seguir.
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Caso o pronome “esses” (R.1) fosse substituído por estes, seriam mantidas a correção gramatical do período e as principais informações veiculadas pelo texto, mas haveria maior distanciamento do autor com relação aos “tanques em que floresciam as diferentes culturas” (R.2).
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As expressões “tomar isso ao pé da letra” (R.4) e “colcha de retalhos” (R.5) são exemplos da função denotativa da linguagem.
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A locução pronominal “cada um” (R.7) poderia ser substituída por cada uma, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência do texto, desde que “padronizados” e “universalizados” (R.9) fossem flexionados no gênero feminino.
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Nas referências a “Sindbad” e “Marco Polo” (R.11), ativa-se o mecanismo da intertextualidade para a construção da coerência do texto.