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Padrão de Resposta
O ofício do diplomata vincula-se, em grande parte, à produção de informações seguras e abalizadas acerca de temas importantes para a política externa do país por ele representado. Essa função torna-se mais relevante na realidade atual, em que a rapidez e a abrangência da difusão de notícias faz surgir inúmeras outras fontes de informação sobre os mesmos assuntos, muitas vezes sem qualquer compromisso com a verdade. Nesse contexto, em que o diplomata não tem mais o monopólio da criação de informações sobre la política externa, cabe a ele esmerar-se na sua tarefa de gerar dados confiáveis e privilegiados, que traduzam os posicionamentos verdadeiramente sustentados pelo Estado. Para tanto, o agente diplomático deve exercitar constantemente suas habilidades comunicativas. Deve, outrossim, estar preparado para usar os meios modernos de comunicação e as redes sociais para transmitir suas informações, adequando os meios da política externa ao ambiente do mundo digital.
Com efeito, na atualidade, a informação diplomática concorre com notícias propagadas com uma velocidade e um alcance sem precedentes. Como observou Oliveira Lima, em conferência proferida na Sorbonne em 1911, a inexistência de técnicas de difusão em massa de notícias e a falta de acesso de periódicos às chancelarias davam aos diplomatas da década de 1820 a exclusividade de geração de dados sobre política externa, circunstância que se refletia na produção de grande acervo documental. Posteriormente, segundo o mesmo autor, a evolução dos modos de vida, inclusive na comunicação, levou os diplomatas a diminuírem seu ímpeto de produtores de informação. Essa, porém, não pode ser a prática dos dias atuais, em que a profusão de notícias enviesadas e falsas, difundidas por uma multiplicidade de canais de comunicação, pode trazer resultados comprometedores para a política externa de um país. Reforça-se, nesse cenário, o papel do diplomata como fonte de informações confiáveis sobre os temas de relevo para as relações internacionais do país, dissipando equívocos ou evitando inconvenientes causados por notícias divulgadas em redes sociais ou outros meios digitais.
Além disso, o diplomata destaca-se como o produtor de informações privilegiadas, que transmitem o posicionamento oficial do Estado por ele representado. A informação proveniente de um diplomata, no exercício de seu ofício, difere das inúmeras notícias veiculadas diariamente sobre relações internacionais, já que tais notícias não têm, obrigatoriamente, compromisso com uma perspectiva de Estado, podendo refletir, simplesmente, uma opinião pessoal ou algum intuito desonesto. A manifestação de um diplomata, por sua vez, deve ser fundamentada em uma análise abrangente e equilibrada sobre o tema de que trata, pois será encarada por seus destinatários como a expressão do ponto de vista do Estado. Disso decorre que, em virtude de seu caráter privilegiado, a informação produzida pelo diplomata tem autoridade para sobrepor-se às falsas notícias provenientes de fontes não oficiais, cujos efeitos negativos para a política externa do país podem, assim, ser minimizados ou mesmo contidos.
Nesse cenário, em que as informações diplomáticas confiáveis e privilegiadas se mostram indispensáveis para combater os impactos deletérios das falsas notícias sobre as relações internacionais de um país, um diplomata não pode deixar de praticar sua capacidade de comunicação, como, segundo Oliveira Lima, fizeram os agentes diplomáticos brasileiros nos anos 1910. Mais ainda, o diplomata contemporâneo deve buscar explorar toda a potencialidade oferecida pelos novos canis de transmissão de informações, tais como as redes sociais, colocando-os a serviço da divulgação das mensagens por ele produzidas. Portando-se dessa maneira, o diplomata mostra-se devidamente habilitado ao exercício eficiente de suas atribuições, dentro de um contexto bem diferente daqueles existentes nas primeiras décadas do século XIX e do século XX. Com isso, o diplomata contribui, como produtor de informação confiável e privilegiada, para uma política externa moderna e conectada com os desafios trazidos pela revolução tecnológica.