A maior volta ao mundo que eu dei foi na Amazônia (…) Isso explica a copiosa e variada literatura que existe hoje sobre a Terra Verde. Alguns filhos da Amazônia (…), como donos legítimos do assunto, torceram o nariz, com mal dissimulado azedume, aos adventícios que estudaram e descreveram a sua planície.
– Barlaventistas! Era como os denominavam, pejorativamente, no Pará (…)
Nuno Vieira acrescentou: "Literatos, quantos a espiem pelas escotilhas de navios ligeiros, com a preocupação de fazer obra de ciência, não a verão jamais. Para bem vê-la e bem compreendê-la, é questão de querer descer ao chão e escutar com amor os corações subterrâneos". (…)
A imaginação do homem, na Amazônia, é uma diátese geográfica. (…) O caráter do homem amazônico é a saturação de suas íntimas necessidades: comprimido entre duas infinitas melancolias – a do rio e a da floresta –, ele se
contrai sobre si mesmo, para fugir nas asas da imaginação.
JUNIOR, Peregrino. Fisionomia geográfica e social da Amazônia. In:
MENESES, Djacir (org.). O Brasil no pensamento brasileiro. Brasília:
Senado Federal, 1998, p. 540-541.
Considerando as ideias descritas no texto apresentado, julgue (C ou E) os itens a seguir.
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"Alguns filhos da Amazônia" (linha 3) não dissimulam azedume com relação à produção literária e científica de escritores e pesquisadores adventícios, dado o elevado grau de conhecimento que estes adquiriram.
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O texto sugere que a "copiosa e variada literatura" (linha 2) "sobre a Terra Verde" (linha 3) resulta da cooperação acadêmica entre os escritores locais, "donos legítimos do assunto" (linha 4), e os cientistas não amazônicos.
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A frase de Nuno Vieira (linhas de 9 a 13) contém crítica aos literatos que acreditam fazer ciência amazônica, quando, na verdade, têm contato superficial com a realidade da região.
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Segundo o texto, a imaginação do homem amazônico é uma predisposição imposta pela geografia, que lhe comprime entre as "infinitas melancolias" (linha 17) do rio e da floresta.