CACD

LÍNGUA PORTUGUESA 2022
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Questão q5 de 2022

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

A primeira das apresentações seria dedicada à pintura e à escultura; a segunda, à literatura, e a terceira à música. A notícia da Semana fora recebida “com um frêmito de curiosidade” nas rodas intelectuais e “altamente mundanas” de São Paulo, o que seria natural, pois se tratava da primeira tentativa de realizar no Brasil “um certame dessa natureza”. Os modernistas de São Paulo usavam habitualmente o termo “futurismo”, mas o faziam em sentido elástico, para designar as propostas mais ou menos renovadoras que se opunham às receitas “passadistas” e “acadêmicas”. A polarização futurismo x passadismo servia como uma tática retórica eficaz – mas também simplificadora. Esse aspecto do discurso modernista, que se apresentava como ruptura com o “velho”, acabava por atirar na lata de lixo do “passadismo” manifestações variadas, às quais, diga-se, não raro os próprios “novos” estavam atados. O rótulo “futurista” gerava incompreensões e facilitava ataques por sugerir subordinação às ideias de Marinetti. Por isso, Mário de Andrade preferia, “bandeirantemente”, recusar em público a batuta do vanguardista italiano. Os “rapazes modernistas” desejavam apenas “ser atuais, livres de cânones gastos, incapazes de objetivar com exatidão o ímpeto feliz da modernidade”. A expressão “ímpeto feliz” vinha como um grito de frescor e juventude em oposição à sisudez “passadista” e ao ambiente soturno dos anos anteriores, imposto pela guerra. Mário gostava de citar a “mocidade alegre” e Oswald, alguns anos depois, em 1928, sentenciaria no Manifesto Antropófago: “A alegria é a prova dos nove”.

GONÇALVES, Marcos Augusto. 1922: a semana que não terminou. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, com adaptações.

Com relação às ideias e aos sentidos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. Os poetas modernistas consideravam as propostas futuristas como inovadoras, pois elas indicavam uma ruptura radical com o passado academicista da literatura do século 19.

  2. Na linha 11, a contradição entre “futurismo” e “passadismo” define as propostas artísticas que se apresentavam no cenário artístico do início do século 20, o que representa realidades estéticas bem distintas e alheias uma à outra.

  3. O neologismo “‘bandeirantemente’” (linha 19) descreve, em linguagem conotativa, o pioneirismo de Mário de Andrade como modernista brasileiro e sua preferência por não se apresentar simplesmente como um artista regido pelos ideais futuristas de Marinetti, e sim por ideais libertários.

  4. A expressão “‘um certame dessa natureza’” (linha 6) caracteriza a Semana de Arte Moderna como uma investida brasileira inovadora, na qual produtos de categorias artísticas diversas foram apresentados.