CACD

LÍNGUA PORTUGUESA 2022
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Questão q6 de 2022

Tempo: 00:00
Texto Auxiliar 1

A primeira das apresentações seria dedicada à pintura e à escultura; a segunda, à literatura, e a terceira à música. A notícia da Semana fora recebida “com um frêmito de curiosidade” nas rodas intelectuais e “altamente mundanas” de São Paulo, o que seria natural, pois se tratava da primeira tentativa de realizar no Brasil “um certame dessa natureza”. Os modernistas de São Paulo usavam habitualmente o termo “futurismo”, mas o faziam em sentido elástico, para designar as propostas mais ou menos renovadoras que se opunham às receitas “passadistas” e “acadêmicas”. A polarização futurismo x passadismo servia como uma tática retórica eficaz – mas também simplificadora. Esse aspecto do discurso modernista, que se apresentava como ruptura com o “velho”, acabava por atirar na lata de lixo do “passadismo” manifestações variadas, às quais, diga-se, não raro os próprios “novos” estavam atados. O rótulo “futurista” gerava incompreensões e facilitava ataques por sugerir subordinação às ideias de Marinetti. Por isso, Mário de Andrade preferia, “bandeirantemente”, recusar em público a batuta do vanguardista italiano. Os “rapazes modernistas” desejavam apenas “ser atuais, livres de cânones gastos, incapazes de objetivar com exatidão o ímpeto feliz da modernidade”. A expressão “ímpeto feliz” vinha como um grito de frescor e juventude em oposição à sisudez “passadista” e ao ambiente soturno dos anos anteriores, imposto pela guerra. Mário gostava de citar a “mocidade alegre” e Oswald, alguns anos depois, em 1928, sentenciaria no Manifesto Antropófago: “A alegria é a prova dos nove”.

GONÇALVES, Marcos Augusto. 1922: a semana que não terminou. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, com adaptações.

Tendo em vista os aspectos linguísticos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. As expressões “mas o faziam em sentido elástico” (linha 8) e “atirar na lata de lixo do ‘passadismo’ manifestações variadas” (linhas 14 e 15) são exemplos da função referencial da linguagem, predominante nesse ensaio acerca da Semana de Arte Moderna.

  2. A citação de trecho do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade, ilustra o emprego da intertextualidade a serviço da progressão textual e da coerência entre as ideias apresentadas a respeito dos “‘rapazes modernistas’” (linhas 20 e 21).

  3. O uso de aspas se justifica para marcar expressões informais de sentido ambíguo por ser texto escrito no nível formal da língua e concernente a tema relativo à cultura brasileira.

  4. Em “às quais, diga-se, não raro os próprios ‘novos’ estavam atados.” (linhas 15 e 16), a expressão iniciada pelo acento grave indicativo de crase é o complemento nominal do predicativo “atados”.