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Em suas reflexões sobre a globalização, o sociólogo Zygmunt Bauman questiona a permanência das fronteiras geopolíticas diante das conveniências proporcionadas pela tecnologia em superar distâncias físicas. Ele insinua, ainda, a possibilidade de reduzir as diferenças de classe com o fim das fronteiras, pois ser cosmopolita não mais dependeria de possuir meios pecuniários para atravessar limites geográficos. Contudo, não há o “fim da geografia”, pois o acesso aos meios de comunicação e à tecnologia permanece desigual, nacionalmente ou internacionalmente.
A criação da Zona Franca de Manaus permitiu que a região recebesse investimentos e acesso a tecnologias de produção importantes para o desenvolvimento local. Porém, ao mesmo tempo, agravou a desigualdade social, pois houve concentração de riquezas nas classes investidoras e favelização por falta de empregos. Segundo o IBGE, cerca de 40% da população manauara vive em favelas sem acesso à infraestrutura adequada, excluída socialmente. Internacionalmente, os EUA concedem benefícios fiscais para atrair indústrias de semicondutores a se instalarem em seu território, de modo a privar a China do acesso a essas tecnologias, promovendo sua exclusão econômica. Portanto, não há o “fim da geografia”, pois fronteiras sociais e geopolíticas permanecem. As melhorias nas comunicações não superaram distâncias, pois o acesso à tecnologia ainda é desigual.