Leia, com atenção, o texto a seguir.
O encontro
Em 1926, a coluna socialNoticiário Eleganteregistrou a primeira visita que um jovem antropólogo pernambucano, o“Doutor” – como fez questão de frisar o colunista Gilberto Freire – fez ao Rio de Janeiro. Sobre essa visita, fica registrada uma“noitada de violão”, assim chamada pelo próprio escritor em seu diário. Nela, estavam presentes o historiador Sérgio Buarque deHolanda; o promotor Prudente de Moraes Neto; o compositor clássico Heitor Villa-Lobos; o pianista Luciano Gallet; e os sambistasPatrício Teixeira, Donga e Pixinguinha. O encontro juntava, portanto, dois grupos bastante distintos da sociedade brasileira daépoca. De um lado, representantes da elite, da intelectualidade e da arte erudita e, do outro lado, músicos oriundos das camadasmais pobres da cidade. Dois jovens escritores, que iniciavam as pesquisas que resultaram emCasa-Grande e Senzala, em 1933, eRaízes do Brasil, em 1936, obras fundamentais na definição do que seria brasileiro no Brasil e, à frente deles, Pixinguinha, Dongae Patrício Teixeira, os quais definiam a música que seria, a partir dos anos 30, considerada como o que, no Brasil, existe de maisbrasileiro. Essa “noitada de violão” pode servir como alegoria, no sentido carnavalesco da palavra, “da invenção de uma tradição”,aquela do Brasil mestiço, onde o samba ocupa lugar de destaque como elemento definidor de nacionalidade e, como diria AntonioCandido, de “quebra de barreiras”, servindo de elemento unificador ou de canal de comunicação para grupos bastante diversos dasociedade brasileira.
VIANNA, Hermano.O mistério do samba. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, UFRJ, 2007, p. 19, com adaptações.
Considerando o encontro descrito pelo antropólogo Hermano Vianna, suas reflexões, bem como a cultura brasileira em geral, analisea relevância, no Brasil, das artes como formadoras da identidade nacional. Nesse contexto, comente como as artes, sobretudo amúsica, podem ser campo privilegiado, no qual é possível, além do debate identitário, o encontro entre a cultura popular e a erudita.
INSTRUÇÕES PARA AS PROVAS DISCURSIVAS
PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA
Orientações para a elaboração dos textos das provas discursivas. A prova de língua portuguesa é composta por 1 (um) tema de redação, 1 (um) resumo e 1 (um) exercício de interpretação, de
análise ou de comentário de textos. A prova deverá ser manuscrita, em letra legível, com caneta esferográfica de tinta preta, fabricada com material transparente, e
as respostas deverão ser transcritas para as folhas de texto definitivo. Asfolhas de texto definitivodas provas discursivas não poderão ser assinadas, rubricadas e nem conter, em outro local que
não o apropriado, nenhuma palavra ou marca que identifique o candidato, sob pena de anulação da prova. Asfolhas de texto definitivosão os únicos documentos válidos para a avaliação das provas discursivas. O candidato receberá 5 (cinco) folhas de texto definitivo das provas discursivas, sendo 2 (duas) para a redação, 2 (duas) para o
resumo e 1 (uma) para o exercício. As folhas de texto definitivo indicarão se pertencem à redação, ao resumo ou ao exercício.O candidato deverá observar atentamente a correspondência entre redação, resumo e exercício e folha de texto definitivo, sobpena de ter o seu texto avaliado negativamente.
O espaço para rascunho, contido no caderno de provas, é de preenchimento facultativo e não valerá para avaliação dasprovas discursivas.
A resposta para a redação deverá ter extensão mínima de 65 (sessenta e cinco) linhas e máxima de 70 (setenta) linhas, oresumo deverá ter extensão mínima de 35 (trinta e cinco) linhas e máxima de 50 (cinquenta) linhas e o exercício deverá terextensão mínima de 15 (quinze) linhas e máxima de 20 (vinte) linhas.
Serão apenadas a redação, o resumo e o exercício que desobedecerem à extensão mínima ou máxima de linhas, deduzindo-se,da pontuação atribuída à redação ou ao resumo ou ao exercício,2,0 (dois)pontos para cada linha que faltar para atingir omínimo ou que exceder o máximo exigido.
Inicie, impreterivelmente, o seu texto na linha identificada como número 1 na página inicial da folha de texto definitivo.REDAÇÃO
Leia, com atenção, os textos a seguir.
“A máxima segundo a qual o perturbador da paz está sempre errado é a que deve guiar as Nações Unidas. Quem quer queprocure interromper a paz, semear discórdia entre nações, ou promover uma guerra de nervos, será doravante subjugado pelainabalável determinação de todos os que têm sofrido as amarguras da guerra e que resolveram nunca mais admitir que semelhantecatástrofe ocorra.”
(Embaixador Luiz Martins de Souza Dantas, I Sessão Ordinária da Assembleia Geral da ONU – Parte I. Londres, 10 de janeiro de 1946.In: FUNAG.A Palavra do Brasil nas Nações Unidas, 1946-1995. Brasília: FUNAG, 1995, p. 27).
“Se considerado à luz do princípio da igualdade de todos os Estados perante a lei, o Artigo 27 (da Carta da ONU) foi um
preço muito alto pago por pequenos e médios países pela obtenção da Carta (…) O Brasil, embora seja em tese contrário ao veto,aceitou-o dentro de espírito construtivo, em nome da obtenção de resultados práticos. Pensamos que, enquanto todos os Estadossão iguais perante a lei em termos teóricos, suas responsabilidades concernentes à preservação da paz são diretamenteproporcionais aos seus meios de ação e, por conseguinte, variam muito. Por esta razão, decidimos que era necessário confiar nasgrandes potências.”
(Embaixador Pedro Leão Velloso, I Sessão Ordinária da Assembleia Geral da ONU – Parte II, – com adaptações.Idem, p. 31).
Considerando o contexto recente das relações exteriores no Brasil, analise sucintamente a atualidade, ou não, dos argumentoscontidos nos trechos dos discursos apresentados. Discuta brevemente, com ilustrações, um ou mais dos seguintes elementos: “operturbador da paz está sempre errado”; “preço muito alto pago por pequenos e médios países”; “o Brasil foi contrário ao veto,mas aceitou-o dentro de espírito construtivo para obtenção de resultados práticos”; “é necessário confiar nas grandes potências”.