O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
PESSOA, Fernando. Autopsicografia. In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50
A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
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A repetição da palavra “dor” (linhas 3, 4 e 6) constitui a figura de linguagem anáfora.
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A palavra “lida” (linha 6), na segunda estrofe, não é um substantivo e não designa o feminino de “lide”, no sentido de labuta, luta da vida.
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A segunda estrofe contém uma sinestesia.
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A terceira estrofe contém a figura de linguagem hipérbato, caracterizada pela inversão da ordem dos elementos da oração, e apresenta a palavra “coração” como sujeito.