Não podemos comparar o mundo do final do breve século XX ao mundo de seu início, em termos de contabilidade histórica de mais e menos. Tratava-se de um mundo qualitativamente diferente em pelo menos três aspectos. Primeiro, ele tinha deixado de ser eurocêntrico. Trouxera o declínio e a queda da Europa, ainda centro inquestionado de poder, riqueza, intelecto e civilização ocidental quando o século começou. A segunda transformação foi mais significativa. Entre 1 e o início da década de 1, o globo foi muito mais uma unidade operacional única, como não era e não poderia ter sido em 1. Na verdade, para muitos propósitos, notadamente em questões econômicas, o globo é agora unidade operacional básica, e unidades mais velhas como as economias nacionais, definidas pelas políticas de Estados territoriais, estão reduzidas a complicações das atividades transnacionais. A terceira transformação, em certos aspectos a mais perturbadora, é a desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano, e com ela, aliás, a quebra dos elos entre as gerações, quer dizer, entre passado e presente. Eric Hobsbawm. Era dos extremos: o breve século XX (1–1). São Paulo: Companhia das Letras, 1, p. 2-4 (com adaptações). A partir da análise contida no texto acima, julgue os itens seguintes, relativos ao processo histórico do mundo contemporâneo.
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Seguindo a trajetória ascensional da economia capitalista ao longo do século XIX, a Europa exerce incontrastável supremacia mundial quando do início do século XX. Ao comandar a expansão imperialista, especialmente em termos de neocolonialismo, as principais potências européias dividem o globo segundo seus interesses, muitas vezes justificando sua ação dominadora por meio de um construto ideológico — a missão civilizadora do branco europeu sobre povos e regiões considerados atrasados.
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A Grande Guerra de 1 resulta, entre tantos e múltiplos fatores, das disputas interimperialistas — notadamente aquelas que colocam frente a frente duas forças econômicas, a declinante Grã-Bretanha e a ascendente Alemanha — e do peso ponderável do nacionalismo, em particular daquele conduzido e manipulado pelos Estados. Quando o conflito chega ao fim, uma Europa em crise assiste à emergência mundial dos Estados Unidos da América (EUA) e à quase generalizada decadência dos regimes políticos liberais. Cargo: Terceiro Secretário da Carreira de Diplomata – 7 / 1 É permitida a reprodução apenas para fins didáticos e desde que citada a fonte.
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A contínua incorporação do conhecimento científico ao sistema produtivo contemporâneo, cujos passos iniciais foram dados ainda em meados do século XIX, quando o capitalismo mais e mais passava a ser controlado pelos capitais financeiros, adquire prodigiosa dimensão ao longo do século XX. A Era de Ouro da economia contemporânea, entre o pós-Segunda Guerra e o início da década de 7, amplia o processo de mundialização dos mercados, deixando para trás o que Hobsbawm chama de estágio de “economias nacionais” comandadas por Estados territoriais.
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O mundo que o século XX deixa para o XXI é, em linhas gerais, uma aldeia global, possível também pela acelerada revolução das comunicações e dos transportes. Nessa perspectiva, a globalização em marcha na atualidade corresponde a uma ruptura histórica com o capitalismo que a precedeu, tamanhas e fundas as diferenças entre o modelo econômico gestado pela Revolução Industrial e o praticado, em escala planetária, nos dias de hoje.
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A “desintegração de velhos padrões de relacionamento social”, mencionada no texto e característica marcante do atual momento histórico, pode ser representada, entre outros possíveis aspectos, pela erosão das sociedades e religiões tradicionais, pelo fim da utopia pregada pelo socialismo real e pela exacerbação de um individualismo associal absoluto.