Com o advento da República, a política externa brasileira voltou-se para uma deliberada aproximação com os EUA, país que reconhecera, quase que de imediato, o novo regime político do Brasil. Isso não significou que houvessem sido abandonadas as ligações com a Europa, especialmente com a Grã-Bretanha, marca registrada das relações exteriores durante o Império. Mas articulavam-se, com o barão do Rio Branco à frente do ministério, as novas bases de uma identidade continental, que garantiria um alinhamento do Brasil com os EUA, mantido, apenas com pequenas alterações, até o presente. Maria Lígia Prado. Davi e Golias: as relações entre Brasil e Estados Unidos no século XX. In: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira (1–2) — a grande transação. São Paulo: SENAC, 2, p. 3 (com adaptações). Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a inserção internacional do Brasil ao longo do período republicano, julgue os itens subseqüentes.
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Figura emblemática da diplomacia brasileira, Rio Branco veio do Império para se agigantar como estadista nas primeiras décadas republicanas. À frente do Itamaraty por dez anos, teve papel preponderante na resolução de problemas de fronteira e, no que concerne à intenção de consolidar uma identidade continental para o país, vislumbrou a crescente importância que teriam os EUA no cenário mundial.
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Entre os momentos em que “o alinhamento do Brasil com os EUA” — mantido, segundo o texto, ao longo do período republicano — sofreu algum tipo de constrangimento, pode-se citar a fase da Política Externa Independente. Lançada na primeira metade dos anos 6 do século passado, ela refletia os anseios de se praticar um ponto de vista internacional a partir dos interesses nacionais em um rico e complexo contexto histórico, no qual se destacavam, entre outros marcantes acontecimentos, os impactos da Revolução Cubana e a emergência das novas nações africanas.
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Malgrado suas indisfarçáveis similitudes e de terem convivido no mesmo contexto histórico, o justicialismo peronista e o trabalhismo getulista não conseguiram se aproximar, quer em termos de propostas de ação, quer pela atuação conjunta propriamente dita. Mais que mera possibilidade, é provável que esse desencontro tenha sido motivado pelo histórico contencioso entre Argentina e Brasil, que tiveram nas disputas pela hegemonia na região platina, no século XIX, seu elemento definidor.
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Enquanto os primeiros governos do regime militar instaurado em 1 faziam nítida opção pelo alinhamento com Washington, na provável busca de um relacionamento especial e privilegiado com a grande potência ocidental, sob Geisel o regime reorienta a ação diplomática do Brasil. Esgrimindo um pragmatismo responsável, o Brasil aproxima-se de outros importantes centros capitalistas — de que decorre, por exemplo, o acordo nuclear com a Alemanha — e implementa significativa política para o continente africano — que teria no rápido reconhecimento de Angola uma de suas cargas mais simbólicas.
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A forma efusiva como o presidente Fernando Henrique Cardoso foi recebido por George W. Bush demonstra que, a despeito da impressão insatisfatória deixada na Casa Branca à maneira pela qual o Brasil reagiu aos ataques terroristas do 1 de setembro de 2, propondo prudência e cautela na reação norte-americana e se recusando a apoiar atitudes sustentadas por uma visão maniqueísta do mundo, a política internacional é conduzida por princípios conceituais, de modo que as divergências tendem a ser superadas. Cargo: Terceiro Secretário da Carreira de Diplomata – 9 / 1 É permitida a reprodução apenas para fins didáticos e desde que citada a fonte.